Enquanto uns garantiram milhões, outros lutarão pela salvação

Separados por 14 posições e por 20Km, Rio Ave FC e FC Porto encontravam-se nos Arcos, na penúltima ronda da I Liga. De um lado, sabia-se que em caso de vitória a qualificação direta para o “pote do dinheiro” da Champions ficaria já selada, apesar da conquista de um triunfo do SL Benfica no clássico. Por outro lado, e depois dos sucessos boavisteiros e farenses na presente ronda, apenas pontos interessariam às cores Rioavistas.

De referir que em duelo direto, a equipa mais concretizadora, o FC Porto, com 67 finalizações certeiras, ao passo que os vilacondenses registavam o pior ataque da prova, apenas 23 golos em 32 rondas. Num duelo em que Taremi reencontraria o clube que colocou na rota da Europa na temporada cessante, bisando no Bessa, e de onde saiu para os da Invicta. Contudo situação idêntica se passava com o polaco e totalista na formação orientada por Miguel Cardoso, o guarda-redes, Kieszek, que pelos portistas à data dirigidos por André Villas-Boas conquistou: Campeonato Nacional, Taça de Portugal e Liga Europa.

Este confronto marcava ainda uma volta completa do técnico Rioavista ao leme de uma nau que corria perigo de afundar.

Realçar ainda, que o clube presidido por António Silva Campos, não triunfava em receções aos azuis e brancos caminhava para 17 temporadas.

Debruçando-nos sobre as escolhas de ambos os técnicos, Fábio Coentrão era baixa por lesão nos da casa que apresentavam um esquema tático composto por três centrais: Borevkovic, Aderllan Santos e Nelson Monte. As laterais eram competência de Ivo Pinto e Pedro Amaral, um atleta formado na “cantera” benfiquista. A zona medular entregue aos bem experientes: Tarantini, Filipe Augusto e o ex Sporting CP Rafael Camacho. No ataque estavam Gelson Dala e Carlos Mané, surpreendendo as ausências de Guga Rodrigues e Francisco Geraldes, ambos relegados para a condição de suplentes.

Num FC Porto, em que Marega não estava por decisão técnica no lote de convocados, o nigeriano Zaidu permanecia de fora tal como Jesus Corona, estes por lesão. Já o congolês Mbemba não poderia dar o seu contributo ao dragão, por castigo! Num onze em que Grujic ocupava o lugar habitualmente pertença de Sérgio Oliveira. Diogo Leite entrava para central sendo que João Mário mantinha-se na posição de lateral direito, com o castelhano Toni Martínez a fazer companhia a Taremi na frente de ataque tripeira.

No que concerne aos juízes nomeados para dirigirem arbitralmente a contenda estávamos perante: Rui Costa, natural da cidade do Porto, tendo como auxiliar desde a cidade do futebol, o gaiense Vasco Santos. Numa noite típica na cidade piscatória de Vila do Conde: forte chuva, vento que chegava e sobrava e um relvado bastante fustigado pela intempérie verificada.

Tudo pronto para principiar um desafio em que as forças, embora de valias diferentes, poder-se-iam equivaler, dados os objetivos pelos quais batalhavam.

Transcorridos os 20’ iniciais, via-se um FC Porto com muito maior tempo de posse e instalado no meio terreno ofensivo visitado, no entanto e fruto do facto de as linhas do Rio Ave FC estarem extremamente juntas, ia conduzindo a muitas dificuldades para a turma de Conceição entrar e penetrar a defensiva contrária, necessitava-se de maior verticalidade de forma a conseguir furar um conjunto que apresentava um plano de voo bem concreto: tapar ao máximo os caminhos da sua baliza jogando na espreita de um erro na saída de bola dos visitantes, de modo a feri-los de morte num contra-ataque, em que poderiam fazer uso da velocidade dos seus homens de ataque. De resto, ia sendo um jogo pouco dinâmico e com um enorme enteamento!

A grande chance dos azuis, em toda a etapa primeira, surgiria cravados 26’ na sequência de uma bola que era para ser centrada por Taremi, mas que de modo involuntário esteve bem perto de resultar em mais um para a conta do iraniano, isto não fosse a trave ainda que da parte de fora da baliza de Kieszek, travando as suas intenções. Primeiro vislumbre de golo num jogo bem morno até a este momento.

Com sete até aos 45’, finalmente o perigo rondou a baliza guardada por Marchesín. Tabela entre Mané e Dala, com o luso numa altura em que tinha a baliza diante dos seus olhos e à boca da mesma, desperdiçou um golo praticamente consumado. Lance que entrará direto para o rol de perdidas mais escandalosas da competição!

Falhando oportunidades de tamanha magnitude, percebia-se por que motivo os verdes e brancos eram o ataque menos concretizador da prova, bem como um dos fatores primordiais para tão fraco pecúlio pontual.

A quatro da saída em direção aos balneários, Rafael Camacho era vítima de lesão que o obrigava a desfalcar a sua formação, com Gabrielzinho a ser o seu substituto.

Após a contrariedade para o técnico nascido na Trofa, a pausa chegaria.

Primeiro tempo em que os portistas iam jogando a um ritmo: lento, pachorrento e sem grande alma, mas que mesmo assim ia bastando para estarem superiores a um oponente que ia mostrando muito pouca alegria no seu jogo, parecendo, uma vez mais que Miguel Cardoso não compreende as caraterísticas dos atletas do seu plantel, dificultando assim a implementação dos mesmos como uma verdadeira equipa.

Resultado mais que justo, bem demonstrativo da inoperância de ambos os duelistas.

Precisava-se bem mais, com o “chá” a ser, porventura, grande no interior das cabines.

Era necessária mais vertigem!

Numa etapa complementar em que a chuva deixava Vila do Conde e com nenhum dos contendores a mudar qualquer peça, foi num rasgo individual do “cachopo” João Mário, que me tem surpreendido nos dois pretéritos embates, a furar pela defesa contrária. O mesmo, com um bailado desconcertante entra na área e toca em Martínez que fuzila e carimba mais um na prova. O sexto do atacante no campeonato.

Um atleta totalmente revigorado, face à primeira parte da presente edição da Liga NOS.

Parecia estar feito o mais complicado, contudo este tento poderia ter por condão adiantar um Rio Ave FC que seria obrigado a subir linhas, por forma a não deixar tudo para a deslocação à Choupana.

Quanto aos da Invicta, era não abrandar, pois os milhões estavam ao virar da esquina!

Os “Díaz” eram mesmo de felicidade para os Portuenses, com Luís a demonstrá-lo. Grande lance do mestre Otávio, que serviu, com qualidade superior para uma finalização cheia de requinte e classe do “cafetero” uma das unidades mais importantes num passado recente do FC Porto. Ele que também chegava ao sexto na Liga.

O conjunto caseiro estava meio sem saber o que fazer, demonstrando perder o fio à meada, tomando dois murros no estômago bem complexos de digerir, em contraponto e mesmo jogando q.b. os dragões faziam o necessário para aproveitar as fragilidades de uma equipa muito desnorteada.

Após 64 voltas ao ponteiro, ficava desfeita a dupla de centrais no grupo de Miguel Cardoso, retirados: Tarantini e Nelson Monte indo a jogo: Junior Brandão e Guga Rodrigues.

Um despertador que tocava já muito tarde!

Taremi, que comprova estar novamente a crescer em confiança, terminava rendido e com cara de poucos amigos, abandonando já para lá do miolo do segundo tempo, substituído por Sérgio Oliveira.

O recém-entrado chegou, viu e marcou, com Díaz agora a assistir para uma finalização, a 16ª da temporada, do médio internacional português que está bem perto de marcar presença no Europeu, numa lista a ser divulgada na próxima quinta-feira.

Tudo resolvido para uns e adiado para outros!

Decorridos 73’, ainda foram incluídos nos caseiros: Anderson Cruz e o nipónico Meshino, que vieram ocupar as posições anteriormente pertencentes a: Gelson Dala e Carlos Mané. Alterações já a pensar na final diante do CD Nacional.

Já no FC Porto, no mesmo instante, deixava as quatro linhas um fatigado Otávio Monteiro, para presidir ao aparecimento de Nanu. Retirada de um dos mais importantes soldados de uma temporada europeia brilhante dos azuis e brancos.

A sete minutos de serem atingidos os noventa, foi tempo para um regresso: Iván Marcano retornou à equipa principal do FC Porto, quase um ano após o ter feito pela pretérita ocasião, depois de ter competido em dois jogos pelos Bês. Com o ex AS Roma iria a jogo Felipe Anderson, escolhas para os abandonos de: Toni Martínez, com queixas físicas, e o sérvio Grujic.

Antes de se fazerem cumprir os três decretados pelos juízes, referir que Uribe viu amarelo, falhando a derradeira jornada frente à Belenenses SAD no dragão.

Ultrapassado o período decretado, foi hora de correr o pano sobre uma contenda que em 11’ decidiu o apuramento direto para a Champions por banda dos forasteiros e condenou um emblema visitado que fará do duelo ante os nacionalistas uma verdadeira final.

Os vilacondenses, ocupam a 16ª posição com 31, já os das antas levam 77 somados e têm as contas resolvidas.

 

Nota equipa de arbitragem (6)

 

Notas treinadores

Miguel Cardoso (4)

Sérgio Conceição (6)

 

Onze inicial e pontuações Rio Ave FC

Kieszek (5)

Borevkovic (5)

Aderllan Santos (4)

Nelson Monte (5)

Ivo Pinto (5)

Tarantini (4)

Filipe Augusto (5)

Pedro Amaral (4)

Carlos Mané (3)

Gelson Dala (4)

Rafael Camacho (5)

 

Subs utilizados

Gabrielzinho (4)

Junior Brandão (4)

Guga Rodrigues (4)

Anderson Cruz (-)

Meshino (-)

 

Onze inicial e pontuações FC Porto

Marchesín (6)

João Mário (7)

Pepe (6)

Diogo Leite (6)

Manafá (6)

Otávio Monteiro (7)

Uribe (6)

Grujic (7)

Luís Díaz (8)

Taremi (6)

Toni Martínez (7)

 

Subs utilizados

Sérgio Oliveira (6)

Nanu (5)

Iván Marcano (-)

Felipe Anderson (-)

 

Crónica redigida por Diogo Rodrigues

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