Herói improvável dá título ao dragão
Este sábado dia 1 de agosto, teve lugar pelas 20h45m a final da prova rainha do futebol nacional (Taça de Portugal). Pela primeira vez em 80 edições não se jogou em Lisboa (Estádio do Jamor local onde se realizou por 78 ocasiões), ou Porto (Estádio das Antas onde teve lugar uma edição da competição). Devido ao surto pandémico da Covid-19 e por falta de condições no recinto do Jamor, foi decidido que a octogésima edição se disputaria no Municipal de Coimbra.
Estava uma temperatura ideal para assistirmos a uma das partidas do ano. A anteceder a disputa nas quatro linhas tivemos um grande momento: a fadista Ana Moura cantou num palco improvisado pela organização da competição o hino nacional. Foi algo tocante e que teria sido sublimado com a presença dos adeptos de ambas as formações, algo que na minha opinião era perfeitamente possível, visto que dois dias antes havia tido lugar uma tourada onde foi permitido ter publico a assistir. Estamos em Portugal!
Esta partida foi dirigida por Artur Soares Dias, da Associação de Futebol do Porto, contando com Hugo Miguel da Associação de Futebol de Lisboa na função de vídeo-árbitro.
Os portistas entraram mais fortes, sendo que aos quatro minutos Corona penetrou na defesa benfiquista, atirando para intervenção atenta de Vlachodimos. Primeira dezena de minutos em que os tripeiros foram a melhor equipa nas quatro linhas, registando maior posse de bola, mas em progressão. Corona era quem mais se destacava por esta altura da contenda. Um Benfica muito lento, talvez com os fantasmas das duas derrotas sofridas diante dos dragões a contar para a Liga Portuguesa.
Ao cabo da primeira meia hora de confronto e após uma entrada forte dos de Conceição, os benfiquistas respiravam e conseguiam ter mais bola, impedindo as incursões dos campeões nacionais. Por esta ocasião não podíamos considerar que houvesse alguém por cima do desafio. Apenas a destacar o minuto 17, em que Jardel ia deixando Marega sozinho na cara de Vlachodimos, mas este rápido a sair de entre os postes evita uma ocasião soberana para os da cidade invicta fazerem o marcador mexer.
Ao 39’ ocorre o primeiro de muitos erros da equipa de arbitragem. FC Porto reduzido a dez unidades, por expulsão de Luís Diaz, sendo que Conceição por protestos também levou o caminho dos balneários. Não está em causa o segundo amarelo, pois a entrada foi muito dura sobre André Almeida e talvez fosse até para algo mais do que a cartolina amarela. Uma vez, que não foi essa a decisão de Soares Dias e seus pares, considero que estiveram mal visto que aos nove minutos quando o colombiano foi admoestado com o primeiro amarelo, e após ter visto várias repetições, não consigo encontrar justificação para esta punição. Erro que poderia ter condicionado a equipa vinda do norte do país, pois a ideia do técnico seria decerto alterada por esta contrariedade.
Foram dados quatro minutos de compensação para esta primeira parte. O duelo chegou ao intervalo com a arbitragem de Artur Soares Dias a fazer passar a ideia a quem não viu o jogo, de que o mesmo havia sido uma batalha campal, algo que não se verificou, nem de perto nem de longe.
No que concerne aos verdadeiros artistas tivemos uns primeiros 25’ em que só deu Porto, mas aos poucos os benfiquistas foram equilibrando este primeiro naco da final. Os encarnados mesmo apesar das melhorias constatadas após os primeiros 25’ ainda não tinham afligido o jovem Diogo Costa.
A grande questão era: seriam os do norte capazes de manter a exibição dos primeiros 45’ mesmo com um elemento a menos? Será que os encarnados iriam atacar ou esperar pelo prolongamento, ou até mesmo pelas grandes penalidades?
Em tempo de pausa, Veríssimo mexe na sua formação: saiu Cervi entrando Rafa.
Com apenas dois minutos da etapa complementar, o FC Porto chega ao golo. Livre batido por Alex Telles, Vlachodimos sai mal (cometendo uma infantilidade), a bola sobra para o centralão Mbemba, que cabeceou, fazendo balançar as redes encarnadas pela primeira vez. Vantagem justa, conseguida mesmo a jogar em inferioridade numérica. Os benfiquistas tinham de começar a dar à perna, isto caso almejassem a conquista pela vigésima sétima vez da competição (equipa com mais troféus desta estirpe em Portugal).
Na bola parada novamente os dragões deixam as águias feridas de morte. Otávio cobra mais um pontapé livre e de novo Mbemba mais alto do que todos, aparece para aproveitar mais uma falha defensiva do conjunto da luz. Era visível a olho nu que já havia pouca crença do lado da formação da capital, seria necessário um milagre. O segundo de Mbemba foi apontado aos 59’.
Dupla alteração nos da águia aos 61’: abandonaram Weigl e Chiquinho para as entradas de Vinícius e Taarabt.
Depois de 73 voltas ao ponteiro, era a hora do conjunto nortenho fazer a primeira alteração no seu exército: abandonou Otávio dando a sua vez a Diogo Leite. Era altura para fechar o ferrolho por parte dos dragões, afinal de contas estavam a pouco mais de 15’ de conquistar mais uma taça para as vitrinas do museu do dragão.
A 15’ dos noventa regulamentares, processa-se mais uma dupla substituição no emblema vermelho e branco: são retirados Pizzi e Seferovic para as entradas de Jota e Dyego Sousa (que dá ideia de ter vindo fazer um gap year à luz).
Cinco minutos mais tarde, fruto de se encontrar tocado, abandonou Corona, dando a sua vez a Sérgio Oliveira.
Depois aos 83’ a equipa de arbitragem volta a estar mal., uma vez que decide assinalar grande penalidade a favor da turma lisboeta por falta de Diogo Leite, que não existiu, sobre Rafa. O golo é da autoria de Vinícius. Estava assim relançada a esperança dos benfiquistas em operar a reviravolta no placard do municipal da cidade dos estudantes.
Transcorridos que estavam 88’: abandonou no conjunto da invicta Uribe entrando para o seu lugar Loum.
São concedidos mais cinco minutos de compensação para esta segunda parte.
Com um minuto dos cinco já esgotado, Jota atira uma bola de forma fulminante, levando a mesma a embater no poste direito da baliza de Diogo Costa. Seria um golaço de pé esquerdo do menino formado localmente.
A um minuto do fim, foi a vez de Tiago Pinto ser expulso do banco benfiquista por palavras dirigidas à equipa de arbitragem.
O jogo chega ao fim e com isso o FC Porto conquista pela décima sétima vez este troféu, sendo que Conceição se torna no oitavo técnico a fazer a dobradinha pelo conjunto tripeiro, uma vez que o último havia sido André Villas Boas na época 2010/11. Desta forma os dragões igualam os leões em número de Taças de Portugal conquistadas. Já os encarnados por seu turno veem findar uma das piores épocas da sua história mais recente.
Notas:
Melhor em campo - Mbemba
Pior em campo - Chiquinho
OK para ambos os técnicos
Cartão vermelho para a equipa de arbitragem
Por Diogo Rodrigues
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