Uma luta até ao último segundo


No sábado dia 25 de julho, pelas 19h jogou-se a luta pela Europa. Os desafios decisivos opunham o Boavista FC ao Rio Ave SC enquanto o Clube Sport Marítimo recebia o FC Famalicão. Os minhotos partiam em vantagem para a derradeira ronda, visto que em caso de vitória no terreno do emblema verde rubro não necessitariam de estar atentos ao que os de Vila do Conde fariam no Bessa. Tudo se conjugava para termos um início de noite cheio de emoções fortes.

Na Madeira tínhamos a dirigir a contenda o lisboeta Tiago Martins contando na função de vídeo-árbitro com o gaiense Vasco Santos. Já na invicta tínhamos como árbitro principal o natural da cidade do Porto Manuel Oliveira sendo que no papel de vídeo-árbitro estava Hélder Malheiro.

Com apenas dois minutos em ambas as partidas (os jogos iniciaram à mesma hora uma vez que Rio Ave SC e FC Famalicão estavam na luta por um lugar europeu) Zainadine colocou os ilhéus na frente. Este golo nada alterava: os Rio-avistas continuavam igualados diante das panteras (se os de Vila do Conde marcassem passariam a ocupar a vaga europeia). Alguma desilusão estampada no rosto dos de Famalicão que passavam a estar dependentes dos acontecimentos que se iam desenrolando no confronto no qual se via envolvido o Rio Ave. Estava-se mesmo a ver que seria dramática esta luta pela última vaga europeia.

Com sete minutos os famalicenses quase chegavam à igualdade. Pedro Gonçalves atira estrondosamente a bola ao poste direito da baliza madeirense. Na recarga Toni Martinez não consegue melhor do que rematar ao lado. Grande ocasião para a turma de João Pedro Sousa restabelecer a igualdade. O conjunto minhoto mantinha-se por esta altura em posse da quinta posição, mas os de Vila do Conde iam apertando cada vez mais. Só Helton Leite ia adiando a festa do emblema orientado por Carlos Carvalhal. Sentia-se que o Fama se encontrava ligado às máquinas, para continuar em lugar de apuramento para a Liga Europa e ser desta forma a 26.ª equipa lusa a estrear-se na segunda prova mais importante do velho continente.

Por volta dos 17’ o Rio Ave colocou-se em vantagem por intermédio de Taremi que chegou aos 17 golos na liga. Por esta altura eram os de Vila do Conde a estar na posse da quinta posição. Era visível que no banco da formação do Minho existia bastante frustração pelas notícias nada animadoras que vinham da cidade invicta.

Taremi com o tento apontado encontrava-se somente a um de Pizzi na tabela dos melhores marcadores (sendo que se verificasse uma igualdade a 18 golos entre os dois futebolistas, seria o atacante dos nortenhos a levar a melhor, pois havia disputado menos minutos).

Com os primeiros 45’ transcorridos no Bessa o Rio Ave era por esta altura dono e senhor do duelo, controlando os ritmos da contenda com e sem bola. Os axadrezados após a conclusão do primeiro quarto de hora nunca mais haviam incomodado as redes dos da área metropolitana do Porto. Já na Madeira o Fama apesar de contar com uma elevada posse de bola não tinha criado muito perigo. É através da marca de grande penalidade que Fábio Martins empata a partida já em tempo de compensação.

Em tempo de descanso era o conjunto verde que carimbava o passaporte para a Europa, mas os de Famalicão estavam apenas a um golo de os ultrapassar.

Todos esperavam segundas partes excitantes em que a luta fosse até à última gota de suor.

Cravados três minutos da etapa complementar, a vida fica ainda mais complicada para o conjunto recém-promovido ao escalão máximo. Os maritimistas chegam ao segundo por parte de René Santos: falha coletiva após livre batido por Bebeto. O Rio Ave tinha tudo nesta fase para ficar em lugar europeu. No entanto ainda havia tempo para a reviravolta na classificação.

Os vilacondenses iriam sentenciar a sua vitória a seis dos noventa. Taremi faz o golo 18 na liga, ascendendo à liderança no que diz respeito à tabela dos melhores marcadores do campeonato. A partir deste momento o conjunto Vilacondense esperava por saber boas novas vindas do estádio da Madeira, uma vez que o duelo com as panteras estava resolvido.

A incerteza voltava, os minhotos, decorridos que estavam 87’ voltavam a igualar a contenda por Roderick: um golo à ponta de lança. De recordar que os de João Pedro Sousa estavam à distância de um golo do apuramento para as competições europeias. Assistiríamos a uma reta final “imprópria para cardíacos” na Madeira. Já em plena compensação, os famalicenses operam a impensável remontada. Lameiras leva todo o banco ao delírio. Todos festejaram de forma fervorosa sendo que Lameiras era o mais saudado de entre todos. Já por banda dos rio avistas reinava a desilusão, apesar de a conquista dos três pontos ser mais que evidente, necessitavam de uma ajuda do emblema insular para voltarem à Europa.

A um minuto de se cumprir o período de seis decretados por Tiago Martins no caldeirão dos barreiros, os de Famalicão vão ao tapete. Erivaldo faz o empate, o guardião dos forasteiros ainda afasta com os punhos acabando por ser mal batido. De imediato o Rio Ave festeja como de se um golo seu se tratasse. O Fama via assim, e devido a uma falha do seu guarda-redes, escapar-lhe por entre os dedos um inédito feito na história do clube.

Os Rio avistas tiveram de se conter nos festejos numa fase inicial, visto que o jogo no Bessa terminou antes do da Madeira. Após cerca de três longos minutos de espera, lá se confirmou mais uma participação dos verdes e brancos nas pré-eliminatórias da Liga Europa. Fica assim por terra o sonho do FC Famalicão que esteve com pé e meio na tão almejada quinta posição.

Foi uma luta até ao último suspiro, que em muito dignificou o futebol Português.




Por Diogo Rodrigues

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