Sousa e Jorge derrotados no Lisboa Racket Center


Na passada semana teve lugar a segunda etapa do circuito da FPT (Federação Portuguesa de Ténis). O torneio foi realizado na superfície de piso rápido, nos courts do Lisboa Racket Center na zona de Alvalade.

A prova distribuiu ao todo 15 000 euros, sendo que cada quadro tinha direito a 7 500. Os vencedores arrecadaram um cheque de 1 500 euros cada um.

À partida os grandes favoritos eram: do lado dos rapazes João Sousa, vimaranense de 31 anos e número 65 do ranking individual masculino, mas também Frederico Silva que ocupa o posto 191 da mesma tabela.

Do lado feminino, Kika Jorge e Inês Murta, respetivamente naturais de Guimarães e de Faro, perfilavam-se como as maiores favoritas à conquista da prova.

Foi uma semana cheia de encontros no complexo lisboeta. Recordemos que este conjunto de quatro provas que culminará com a realização do Campeonato Nacional de absolutos (Taça Guilherme Pinto Basto), foi criado para colmatar a falta de competição dos atletas nacionais, uma vez que tanto o ATP Tour, como o WTA Tour, se encontram suspensos pelo menos até meados de agosto, devido à pandemia da Covid-19.

Os tenistas mais credenciados foram vencendo os respetivos encontros sem dificuldades de maior, mesmo que o ritmo ainda estivesse bastante longe do desejado. A destacar a vitória de Frederico Silva nas meias finais diante do maiato e campeão, em Vale do Lobo, Nuno Borges por duplo 6 - 4. Mesmo assim, as hierarquias pré-estabelecidas foram cumpridas, sendo que Kika Jorge e Inês Murta reeditaram, assim, a final disputada na semana anterior em Vale do Lobo e em que a mais nova das duas tinha batido a jogadora da casa. Já nos rapazes, João Sousa defrontou o tenista natural das Caldas da Rainha Frederico Silva, que surpreendeu tudo e todos pela qualidade do seu serviço ao longo de toda a semana. Os dados estavam lançados para assistirmos a duas finais com qualidade.


Murta desforra-se de Jorge

Numa manhã, em que o sol brilhava de forma deslumbrante, teve lugar por volta das 11h 30 minutos a final de singulares feminina, entre Inês Murta e Kika Jorge. O frente a frente começou equilibrado, mas rapidamente a algarvia fez uso do seu jogo mais agressivo, não cometendo tantos erros como na semana anterior, levando a que a nortenha se remetesse a uma posição mais defensiva. Quebrando por três vezes o serviço da jovem conquistadora, venceu a primeira partida pelo surpreendente parcial de 6- 1, em pouco mais de 35 minutos. Primeira partida de sentido unilateral. Kika esteve muito desastrada talvez acusando alguma fadiga, visto que levava onze vitórias consecutivas sem a cedência de qualquer set, conquistando consecutivamente os títulos em Oeiras e no Algarve.

A segunda partida iniciou-se com um break de Kika no primeiro jogo do parcial, mas Inês respondeu de pronto e logo quebrando o saque da opositora em branco.

Depois, assistiu-se a uma fase em que os serviços prevaleceram, mesmo que a algarvia tenha estado sempre mais perto da quebra de serviço.

No oitavo jogo, e depois de várias ameaças, o tão esperado break lá chegou. Murta passou para a frente do resultado por 5 - 3 e serviria para a conquista da segunda etapa deste périplo inesperado. E assim foi, após três matches points salvos por Kika, lá fechou Inês à quarta tentativa, vencendo por 6 - 3 o segundo parcial.

De destacar que a algarvia apenas cedeu oito jogos em toda a competição, realçando ainda que a mesma nos dois encontros da fase de grupos arrasou as suas oponentes com um duplo 6 – 0 em cada um dos encontros, aplicando uma bicicleta (nome dado quando um/a tenista vence um encontro sem a cedência de qualquer jogo).

As duas atletas declararam, no final do confronto, que a vitória da mais velha foi justa uma vez que esteve sempre no comando das jogadas. Kika referiu mesmo que esteve bloqueada durante a maior parte do desafio e que só a partir do meio da segunda partida começou a encontrar-se com o seu ténis, mas já foi tarde.


Silva surpreende e bate Sousa

Depois das raparigas, foi tempo de os rapazes mostrarem que a modalidade em Portugal está de boa saúde. Frederico Silva e João Sousa (vencedor de três títulos ATP) foram os protagonistas deste encontro.

A final começou com Kiko Silva a apresentar uma invejável condição física. Seria ele a conseguir o primeiro break. Viria a fazê-lo, mais uma vez, no primeiro parcial mesmo tendo cedido por uma vez o seu jogo de serviço em branco. Arrecadou a primeira partida por 6 - 3.

Já no segundo set apenas existiu uma quebra de serviço, ocorrida no quarto jogo e favorável ao tenista do centro do país.

Kiko ao segundo match point selou a conquista da prova.

Vitória justa, em que os 80% de pontos ganhos no seu golpe de saída se revelaram como um dos fatores preponderantes para o triunfo do jovem de 25 anos, aliando este facto a uma grande consistência. Sousa despediu-se, assim, deste circuito, visto que não disputará a terceira etapa a decorrer nos courts da Academia de Ténis da Figueira da Foz, regressando de imediato a Barcelona onde reside atualmente, local no qual treinará com o Top Ten mundial Daniil Medvedev‎.

A etapa decorrerá até ao próximo domingo.

A Revista Desportiva contar-lhe-á as principais incidências da prova.



Por Diogo Rodrigues

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