Paulinho, o herói da noite em Paços
Em jogo da ronda número trinta, defrontaram-se no estádio Capital do Móvel, as formações do FC Paços de Ferreira e do SC Braga. Com o conjunto da casa a uma vitória de garantir a permanência entre os maiores do nosso futebol e com os forasteiros a necessitarem de vencer para se manterem na luta pelo terceiro posto, estavam reunidos todos os ingredientes para se assistir a uma grande partida. A noite estava belíssima para a realização do desafio.
O duelo contou com a arbitragem do albicastrense Carlos Xistra, sendo que na vídeo arbitragem esteve o natural de Santarém, André Narciso.
Foi a segunda partida de Artur Jorge, ex-treinador dos escalões de formação dos minhotos, ao leme da formação principal, depois da saída de Custódio Castro. Ainda nem tinha dado para as equipas se estudarem taticamente e já Xistra assinalava uma grande penalidade a favor dos da casa, considerando que houve um empurrão de Oleg sobre Paulinho. Ao minuto três e, após a consulta do vídeo árbitro, o juiz apontou para a marca dos 11 metros. Decisão errada, não existiu qualquer derrube na grande área pacense. Seria o primeiro de muitos erros de Xistra e seus pares. Na conversão do castigo máximo, Paulinho inaugurou o placard, decorridos apenas 3 minutos.
Transpostos os primeiros 15 minutos, só dava Braga, sendo que o camisa 21, Ricardo Horta, aos 11 minutos permitiu a defesa ao guardião Ricardo Ribeiro. Os presididos por António Salvador eram donos da partida, não concedendo qualquer veleidade aos castores em se aproximarem do seu último terço. Ainda a realçar os três amarelos mostrados a atletas do conjunto da casa, no primeiro quarto de hora. Certamente que, adotando o mesmo critério ao longo de toda a contenda, não chegaríamos ao fim com os dois emblemas completos.
Aos 24 minutos, mais uma asneira da equipa de arbitragem. Ficou por marcar um castigo máximo a favorecer o conjunto de Pepa, visto existir derrube de Bruno Viana sobre Douglas Tanque (melhor marcador dos castores com 11 tentos apontados).
Disputada a primeira meia hora, o grande protagonista era Xistra, já com seis amarelos exibidos. O Braga começava a justificar o segundo golo. Os homens da capital do móvel eram incapazes de incomodar o descansadíssimo Mateus que era um mero espectador, até este momento.
A onze dos 45 minutos regulamentares foi, novamente, assinalada uma grande penalidade favorável aos de Braga. O craque Trincão passou com classe por quatro adversários e cruzou para a área onde Marcelo meteu a mão à bola. Uma das poucas boas avaliações da equipa designada para conduzir esta partida. Paulinho tornou a marcar na cobrança do castigo máximo, bisando no encontro. Estavam ultrapassados os 34 minutos.
Aos 38 minutos, Paulinho conferiu o terceiro, aproveitando uma displicente saída de bola. O atacante contornou Ricardo Ribeiro, carimbando o tento 18 nesta edição da liga portuguesa, alcançando desta forma os benfiquistas Pizzi e Carlos Vinícius no topo da tabela dos melhores marcadores. Já não se assistia a um hat-trick, na primeira parte de um desafio a contar para a primeira liga portuguesa, desde 2017, altura em que Pizzi, ao serviço do SL Benfica, conseguiu tal façanha, diante do Vitória Sport Clube.
Primeira parte de sonho para o dianteiro formado nos galos que, em minha opinião, já justifica uma chamada à seleção das quinas.
Chegamos ao descanso com a clara ideia de que o vencedor deste confronto já estava descoberto. Show de Paulinho num primeiro tempo onde apenas Tanque tentou remar contra a maré vermelha. Um deserto em termos de ocasiões para os caseiros.
No reatamento, assistiu-se a uma tripla alteração no xadrez dos da casa: saíram Pedrinho, Maracás e Luiz Carlos que deram lugar respetivamente a Hélder Ferreira, Diaby e Marco Baixinho. Tentativa de Pepa em alterar o panorama dantesco do primeiro tempo.
Logo na abertura da etapa complementar, novo golo para os forasteiros. Paulinho desta feita não marcou, mas assistiu Ricardo Horta, que vindo da esquerda bateu para o fundo das redes, sentenciando, se é que já não o estava, este encontro.
Com 55 minutos, saiu Douglas Tanque, entrando para o seu lugar Denilson Vieira (o render da guarda por parte do técnico pacense), retirando do encontro a melhor unidade dos castores, uns furos acima dos restantes companheiros.
Decorridos 61 minutos, ficou por marcar grande penalidade a favor do Braga. Mal Xistra assim como André Narciso. Noite mal conseguida por parte da equipa de arbitragem, com destaque para a falta de dualidade de critérios.
Nos bracarenses, mexida ao minuto 64: João Palhinha deu lugar à contratação mais cara de sempre dos minhotos, Abel Ruiz, proveniente do Barcelona. Já nos pacenses, no mesmo minuto, abandonou João Amaral, rendido por Zé Uilton.
Após 73 minutos, saiu, na turma minhota, Bruno Viana e entrou Bruno Wilson (neto do velho capitão) que tinha sido emprestado, na primeira metade da época ao Tondela.
A 11 minutos dos noventa, o conjunto da casa faz o tento de honra por Zé Uilton, assistido pelo vimaranense Hélder Ferreira. Curiosamente, um golo fabricado por dois jogadores entrados no segundo tempo.
Aos 80 minutos, dupla alteração nos de braga: saiu Ricardo Horta, sendo substituído por João Novais; Trincão deu o seu lugar a Galeno.
Um minuto depois, foi a vez da figura maior do confronto, Paulinho, abandonar o terreno de jogo, entrando para a mesma posição Rui Fonte.
Aos 88 minutos, Marco Baixinho atirou à trave da baliza à guarda de Mateus.
O marcador ficaria fechado com uma mão cheia para os comandados de Artur Jorge, com o tento apontado por intermédio de Galeno. O sexto golo do jogador que já vestiu o equipamento do FC Porto.
Numa noite memorável para Paulinho, e em que este levou a bola do encontro para casa, o resultado levou a uma nova aproximação dos bracarenses aos leões, estando com três pontos de desvantagem. Os castores, por seu turno, encontram-se à mesma distância de garantirem matematicamente a manutenção, algo que poderá suceder na próxima jornada, quando defrontar o já despromovido CD Aves.
Notas:
Melhor em campo - Paulinho
Pior em campo - Pedrinho
KO para Pepa
OK para Artur Jorge
Cartão vermelho para a equipa de arbitragem.
Por Diogo Rodrigues

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