O ténis nacional regressa após surto da Covid 19


Depois de mais de três meses sem competir, os tenistas lusos voltaram a pisar os courts, no registo de competição. A Federação Portuguesa de Ténis, com vista a proporcionar aos atletas nacionais ritmo competitivo (visto que estes apenas podiam realizar pequenas sessões de treino durante o período de calamidade), criou um circuito destinado apenas à participação de atletas lusos face à conjuntura atual. Devido ao facto de quase todos os Grand Slams terem sido cancelados, com a exceção dos campeonatos internacionais de França (Roland Garros) e dos circuitos WTA Tour e ATP Tour estarem suspensos, a federação portuguesa da modalidade, decidiu criar um circuito composto por quatro provas. Serão três provas regulares, terminando o mesmo com a realização do campeonato nacional de absolutos a ter lugar em Oeiras.

O novo circuito teve o seu início, na passada semana, nos campos de ténis de Vale do Lobo, vila algarvia, local no qual, outrora, se jogou um torneio do circuito de veteranos, organizado pela Lagos Sport, entidade que por essa ocasião era igualmente responsável pela organização do Estoril Open. Esse torneio trouxe ao nosso país nomes sonantes da modalidade como: Thomas Muster (austríaco que foi finalista na edição de 1990 do torneio Gaulês disputado em terra batida, piso onde obteve os seus melhores resultados), os russos Evgeni Kafelnikov e Marat Safin, entre muitos outros. A prova era disputada em piso rápido, tendo terminado em meados do século devido a dificuldades financeiras da Lagos Sport (de resto foi pelo mesmo motivo que o Estoril Open mudou de mãos).


A primeira etapa do circuito 

Esta teve lugar entre os dias 25 e 29 de junho, contando no elenco com alguma da nata do ténis luso, em ambas as vertentes de singulares.

O favoritismo do lado dos rapazes recaía no vimaranense João Sousa (ex Top 30 Mundial), e no natural da Lourinhã Gastão Elias (ex Top 50 Mundial).

No lado das raparigas, e visto não termos nenhuma mulher classificada entre as duzentas primeiras do ranking WTA (circuito feminino), as fichas estavam depositadas na também vimaranense Francisca Jorge, atualmente tricampeã nacional absoluta. Sendo que a algarvia Inês Murta, a jogar em casa e que adora superfícies mais rápidas, fruto do seu ténis ofensivo, não poderia ser de maneira nenhuma um nome a descartar desta equação.

As grandes ausências foram mesmo as de João Domingues, natural de Oliveira de Azeméis e atual detentor do título masculino de campeão nacional absoluto, mas também a de Pedro Sousa, forçado a desistir fruto de mais uma lesão. O lisboeta, filho de Manuel de Sousa, professor de ténis, mais conhecido por Manecas, tem visto a sua carreira ser minada por uma série de lesões, que têm travado a sua ascensão no ranking ATP (circuito masculino).

A primeira grande surpresa do quadro masculino deu-se quando, na jornada de quinta-feira, o jovem maiato Nuno Borges afastou em apenas duas partidas João Sousa, que se mostrou fora de forma, denotando uma movimentação ainda bastante enferrujada. Do outro lado, Borges, alicerçado num forte serviço e numa direita potente, logrou derrotar o vimaranense.

Contudo, não satisfeito, Borges queria mais e, no dia seguinte, bateu Gastão Elias, novamente em duas partidas, fazendo Gastão parecer um jogador banal. A receita foi a mesma do dia anterior, sendo que melhorou a movimentação e o jogo de rede. Selando assim a qualificação para a grande final, onde teve por adversário o tenista lisboeta Pedro Araújo, que sem queremos tirar qualquer mérito no trajeto do mesmo até à final, ficou no lado menos forte do quadro, fazendo igualmente exibições bastantes agradáveis, assentando o seu jogo sobretudo na consistência nas pancadas de fundo do court.

A final, disputada sob calor intenso, viria a ser de sentido único, terminando com a vitória do nortenho Nuno Borges sobre Pedro Araújo, pelos parciais de 6-4 e 6-2.

Apesar de tais parciais não se pode afirmar que Araújo tenha jogado mal. Tratou-se sim de um espetáculo de ténis oferecido pelo maiato, que como o mesmo viria a declarar "o meu serviço esteve a um nível altíssimo e terá sido o principal fator de desequilíbrio para o triunfo". Borges conseguiu a proeza de arrecadar o torneio sem conceder qualquer partida.

Na vertente feminina, tudo decorreu de acordo com as hierarquias pré-estabelecidas, portanto Francisca Jorge e Inês Murta foram as finalistas.

Kika, como é carinhosamente tratada, levou a melhor muito por culpa da sua maior experiência em lidar com estes momentos de tensão, fator esse que poderá ter sido a chave para a vitória por duplo 6-4. No entanto, a mais jovem das duas pode estar orgulhosa da sua prestação, uma vez que dificultou em muito a conquista da primeira etapa do mini circuito por parte de Francisca.

Nas próximas semanas, o circuito prosseguirá com mais torneios, certamente bem equilibrados e bem jogados, mesmo que o ritmo ainda se esteja a afinar. A sua Revista Desportiva irá lá estar para lhe contar tudo.



Por Diogo Rodrigues

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