Kika é tetra e Borges entra para a galeria


No passado domingo, chegou ao fim a edição 24 dos campeonatos nacionais absolutos de ténis. Este ano, a competição teve lugar na cidade invicta, no complexo municipal do Monte Aventino. Esta etapa findou o circuito da Federação Portuguesa de Ténis (FPT), périplo este composto por quatro torneios: Algarve, Lisboa, Figueira da Foz e a derradeira prova de fogo, o nacional, pela primeira vez jogado noutra superfície que não a de terra batida. Foi disputado num piso rápido de resina acrílica.

Os grandes favoritos: do lado das raparigas, perspetivava-se mais um confronto entre a algarvia Inês Murta e a vimaranense Kika Jorge. Do lado dos rapazes, o quadro estava muito mais aberto, mas o caldense Kiko Silva e o maiato Nuno Borges eram os que recolhiam maior unanimidade junto dos fãs lusos para se sagrarem como campeões nacionais.

Com temperaturas na ordem dos 35/36 graus, não foi fácil conseguir oferecer grandes espetáculos, mas apesar de tudo, o balanço é claramente positivo. Assistimos a encontros bastante interessantes do ponto de vista da emotividade.

Uma das principais atrações, Maria João Koehler, abdicou logo no primeiro encontro da fase de grupos, visto que não conseguiu aguentar o facto de ter estado mais de oito anos sem competir ao mais alto nível.


Meias finais 

Na entrada para a fase derradeira da prova, a grande surpresa do torneio era mesmo o tenista da casa, João Monteiro, que se encontrava pela primeira vez qualificado para esta fase de uma prova deste circuito. O atleta do clube de ténis do Porto tinha demonstrado bastante consistência de jogo, abordando todos os duelos da fase de grupos com a vertente tática muito presente. Kiko Silva chegava aqui sem deixar transparecer se a lesão que o tinha levado à desistência na Figueira estaria debelada. Borges tinha estado imaculado no trajeto até aos melhores quatro. O lisboeta Tiago Cação voltava a estar numa meia final depois da etapa algarvia. Nas raparigas voltávamos a contar com as mesmas protagonistas das demais etapas: Maria Inês Fonte, Ana Filipa Santos e as rainhas, Kika Jorge e Inês Murta.


Dia de finais no Monte Aventino 

Num dia em que apesar de existir bastante calor, tal não era comparável ao que os tenistas tinham enfrentado ao longo de toda a semana, pelo que se esperava que o nível do ténis praticado chegasse aos píncaros em termos de qualidade.

Do lado dos homens, os finalistas eram: Nuno Borges, que na véspera tinha necessitado de três partidas para afastar João Monteiro e Tiago Cação, que viu Kiko Silva abandonar devido a lesão no início do segundo set, após o lisboeta arrecadar o primeiro.

O decisivo encontro começou com os dois contendores a apostarem em pontos rápidos, baseados no serviço e na direita (os dois primeiros jogos foram mesmo fechados em branco por ambos os servidores), contudo Borges foi, aos poucos, tomando conta das despesas da partida. Conjugando na perfeição o equilíbrio entre agressividade e contenção, já para não falar na grande variação de jogo por parte do natural da cidade da Maia e do seu primeiro serviço que foi uma das armas ao longo da competição, Borges logrou vencer a primeira partida pelo parcial de 6-2.

No segundo set a história não foi muito diferente, mas Cação (Top 600 mundial) elevou ligeiramente o seu nível, apenas cedendo por uma vez o seu jogo de serviço. No entanto, essa quebra viria a revelar-se fatal para as aspirações do tenista de 23 anos. Borges venceu a segunda partida por 6-3, inscrevendo desta forma o seu nome na galeria de campeões da Taça Guilherme Pinto Basto.

De destacar que Nuno já tinha vencido na Figueira e no Algarve, por isso estamos em condições de afirmar que foi o grande dominador do circuito FPT.

Nas raparigas não se verificou nada de novo, pois Jorge e Murta jogaram entre si a quarta final em outras tantas semanas.

Murta entrou melhor, mais estável e mais à vontade para explanar o seu jogo. Kika parecia algo perdida e, como esta viria a declarar no final da contenda, tal deveu-se à pressão inerente à possibilidade de conquistar o tetra. Assim, e fruto do break conseguido no quarto jogo, Murta conquistou a primeira partida por 3-6.

No reatamento a minhota voltou disposta a alterar o rumo do duelo, demonstrando que também poderia rivalizar com Inês em termos de potência de jogo, conseguindo forçar a mais experiente a baixar o seu nível. Foram várias as quebras de serviço conseguidas pela nortenha durante este período da final, o que a levou a embrulhar o segundo set por uns esclarecedores 6-1.

Murta já estava nas lonas fisicamente e Kika aproveitou esta condição da adversária tentando que os pontos se fossem tornando mais longos de forma a desgastar a algarvia. Tal estratégia fez com que a conquistadora arrecadasse pela quarta vez, em outras tantas edições em que participou, o título de campeã nacional absoluta. O último parcial teve um resultado de 6-3, claro está favorável a Kika.

Agora os courts só voltarão a ver mais ténis com o arranque dos circuitos ATP e WTA em meados de agosto.




Por Diogo Rodrigues

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