Jogo para (não) esquecer


A noite de 21 de julho de 2020 ficará durante muito tempo gravada na memória do futebol português. Felizmente, e ao contrário do que até se podia esperar, não terá necessariamente de ser pelos piores motivos.

Nada apaga, claro, tudo o que se passou ao longo dos últimos dias à volta de um encontro cuja realização chegou a estar em risco. Mas aquele primeiro minuto de jogo, em que os jogadores do Aves permaneceram estáticos, em forma de protesto simbólico face a tudo o que estão a viver, enquanto os do Benfica, solidários, se limitavam a trocar a bola no seu meio campo, não só terá provocado um arrepio na espinha de todos os que a ele assistiram, como poderá ajudar a abrir os olhos de quem precisa de agir para que situações como esta não se venham a repetir.

O jogo em si foi sem grande história, tanto Benfica como Aves entravam em campo com as suas posições bem definidas. Os encarnados já sabiam que seriam segundos classificados, os avenses já tinham a descida de divisão confirmada.

Aos quatro minutos de jogo, o Benfica já estava em vantagem, passe de Pizzi que encontrou Rafa que na cara do guardião avense não desperdiçou. O golo madrugador tornou o jogo mais previsível e adormeceu de certa forma a equipa encarnada, que permitiu algumas investidas atacantes ao Aves.

E foi assim a primeira parte, onde o Benfica dominou sem criar verdadeiro perigo. O segundo tempo trouxe um Benfica mais perigoso, e rapidamente aumentou a vantagem. Pizzi, na conversão de uma grande penalidade, fez o segundo da partida. Com este golo, Pizzi isolou-se na lista dos melhores marcadores ultrapassando Paulinho (SC Braga) e o seu colega de equipa Vinícius.

O melhor do jogo ficou reservado para os minutos finais, Gonçalo Ramos fez a sua estreia pela equipa principal do Benfica, e logo a marcar por duas vezes. Dois golos num curto espaço de tempo, um de cabeça outro com o pé direito, a marcar pela quarta equipa esta época e na quinta competição. Marcou ao serviço dos juniores, dos sub-23, da equipa B e agora na equipa principal. Seria difícil esperar melhor.

Triunfo em tons de negro (0-4) na noite desta terça-feira na Vila das Aves, a cor com que o Benfica atuou e a cor que envolveu este encontro que, nunca é de mais relembrar, esteve em risco e envolto em várias peripécias. Uma página negra na história do futebol português mesmo não entrando em qualquer tipo de contas no campeonato.




Por João Tavares

0 Comentários