Dragão em festa
Na quarta feira dia 15 de julho realizou-se o primeiro clássico da história do futebol português sem adeptos nas bancadas. O desafio colocou em confronto as formações do FC Porto (que tinha a conquista do troféu de campeão nacional à distância de um empate) e o conjunto do Sporting CP.
Com um calor tórrido e com um mar de gente no exterior do estádio pronta a fazer a festa, foram necessários os agentes da autoridade porem termo a esse ajuntamento que se gerou junto ao viaduto que dá acesso ao centro comercial localizado perto do anfiteatro dos dragões.
A partida contou na função de árbitro principal com João Pinheiro natural de Braga sendo que o vídeo-árbitro foi o portuense Artur Soares Dias.
Este encontro marcou ainda a estreia de Fábio Vieira com a camisola portista no onze titular de Conceição.
O recinto estava engalanado a rigor, visto que existiam um pouco por todo o estádio tarjas alusivas à possível conquista do campeonato nacional.
Assistimos a uma entrada de leão, que ia sendo coroada com o primeiro, mas Sporar estava em posição de fora de jogo. Bem a equipa de arbitragem. Posição irregular evidente do atacante esloveno.
Aos 12’ e na sequência de um passe magistral de Fábio Vieira, Luís Diaz introduziu a bola na baliza leonina. Mais uma vez acertada a decisão dos homens do apito. Houve mão na bola do avançado colombiano na altura em que remata.
Com a primeira vintena de minutos percorrida, estávamos perante um frente a frente em que as equipas jogavam mais para não perder do que para vencer, duelo fraquíssimo. Apesar da pouca qualidade da contenda os de Rúben Amorim eram mais intensos sobre o relvado, como sempre bem tratado.
Depois de 26’ tivemos a melhor e única ocasião de golo digna desse nome até então, centro do jovem Fábio Vieira que descobriu Luís Diaz, este atirou , já com Max batido e é Coates que tira sobre a linha fatal. Os da casa começavam a estar mais perigosos, com o menino Fábio a assumir um papel de destaque na linha média dos nortenhos.
Foi este o cenário ao cabo da primeira meia hora.
Após os 39’ a equipa de arbitragem cometeu o primeiro erro do desafio. Ficou na minha opinião por exibir uma cartolina vermelha ao irrequieto Jovane Cabral por derrube sobre Fábio Vieira. João Pinheiro e seus pares pouparam-no e apenas admoestaram “a joia da coroa leonina” com o amarelo.
Foram acrescentados dois minutos de compensação. Primeiro tempo morno, dividido em duas partes: os primeiros 25’ foram dos lisboetas, período em que se mostraram mais agressivos e com maior dinamismo. Por seu turno os azuis e brancos, daí até ao descanso, mandaram na partida dispondo da grande chance de golo do primeiro naco de clássico. O conjunto da invicta chegou ao final da etapa primeira com 51 % de posse de bola contra os 49 % dos presididos por Frederico Varandas.
Em tempo de intervalo e a manter-se este resultado os dragões festejavam o céptro de campeão nacional.
Com os primeiros 10’ da etapa complementar transcorridos, era tempo de Amorim mexer pela primeira vez. Saiu G. Plata (que esteve muito apagado) sendo rendido por Chico Geraldes (que não se consegue afirmar no plantel verde e branco).
Com 63’ íamos tendo um momento para mais tarde recordar. Fábio Vieira atira de primeira após dominar de peito, disparando de pé esquerdo, levando o esférico a embater na junção da trave com o poste da baliza de Max que desvia com os olhos. A melhor jogada do desafio até então.
Um minuto depois, sendo que na segunda parte só dava Porto, é com inteira justiça que os portuenses chegam ao tento da vantagem. Após canto batido por Alex Telles, o comendador Danilo Pereira surge, colocando fora do alcance do guarda redes dos de Lisboa. O médio Luso chega desta forma ao seu segundo na liga, os dois em alturas decisivas. De acrescentar que os mesmo acontecem consecutivamente, dado que também tinha aberto o placard no estádio João Cardoso em Tondela.
Com o tento de Danilo Pereira soltaram-se de imediato vários fogos de artifício nos céus da noite quente da invicta, nas imediações do estádio já se iniciavam os festejos.
Depois de 72 voltas ao ponteiro, era a hora da primeira substituição nos da casa: saindo o desgastado Fábio Vieira, dando lugar a Vítor Ferreira, formado nas escolas dos Dragões (mais conhecido no mundo do futebol por Vitinha).
A 17’ dos noventa regulamentares, saiu nos forasteiros Ristovski entrando Rafael Camacho. Alteração de pendor ofensivo.
Cumpridos 78’, dupla alteração nos da capital: abandonam Eduardo Quaresma e Jovane Cabral dando a vez a Tiago Tomás e Joelson Fernandes. Era o render da guarda de Amorim, começando a normal rotação empreendida por este desde que está à frente dos destinos dos de Alvalade.
Aos 84’ dupla substituição no xadrez do emblema caseiro: vão para o descanso Alex Telles e Luís Diaz rendidos por Diogo Leite e João Mário (mais dois atletas formados localmente).
Já em cima do minuto noventa os portistas sentenciam a partida e também o título 29 de campeão nacional. Grande abertura de Otávio que encontrou Marega. Este à saída de Max pica-lhe a bola que já tinha o destino traçado, o fundo das redes.
O período de compensação dado na segunda parte cifrou-se nos 5’.
Com o confronto já resolvido, as duas formações só tinham de deixar o tempo escoar. Já todos festejavam nas ruas com muitos cachecóis à mistura e sem cumprirem o distanciamento social recomendado. Já os leoninos, pensavam mais no Vitória FC, visto que já nada havia a fazer em relação a este embate.
Com noventa mais três, dupla alteração nos novos campeões nacionais: abandonaram Marega e Otávio para as entradas de Soares e Romário Baró. Apenas para queimar o pouco tempo que ainda restava.
A partida termina e com isso confirma-se o tão aguardado título para os adeptos do centenário clube que é detentor de duas Ligas dos Campeões, bem como de duas Intercontinentais (atualmente designada como mundial de clubes).
Para os Dragões as últimas duas rondas serão de consagração. Por seu turno os de Lisboa ainda têm uma luta para travar com os Bracarenses pela terceira posição que dará acesso direto à fase de grupos da Liga Europa.
Factos a destacar sobre esta conquista:
- O FC Porto faz o pleno em termos de clássicos, uma vez que derrotou todos os seus rivais diretos, algo que não se sucedia desde a temporada 2002/ 03.
- Ainda a destacar que a conquista tem o selo final no jogo 100 de Conceição ao leme dos das antas.
- De realçar ainda que o natural da zona centro do País, tornou-se no 11.º técnico nacional a conquistar dois títulos de campeão (ainda que não consecutivos) atingindo a marca simbólica dos 100 desafios no banco dos portistas.
Notas:
Melhor em campo - Fábio Vieira
Pior em campo - G. Plata
OK para ambos os técnicos
Cartão amarelo para a equipa de arbitragem
Por Diogo Rodrigues
0 Comentários