Águia vence, mas não convence
Na terça-feira, dia 14 de julho pelas 21h30m, teve lugar no Estádio da Luz o encontro que opôs as formações do SL Benfica e do Vitória SC. A partida era crucial para ambos os clubes: os Benfiquistas estavam obrigados a somar os três pontos para adiar nem que fosse apenas por um dia a quase inevitável conquista do título por parte do FC Porto. Já os Vimaranenses queriam a vitória, pois só assim continuariam a alimentar o sonho europeu. Como tal esperava-se um desafio jogado ao ataque, visto que o triunfo era fundamental para os dois contendores.
O duelo foi arbitrado por Hugo Miguel de Lisboa tendo na função de vídeo-árbitro o alentejano de Évora Luís Godinho.
Para não destoar das últimas partidas aqui disputadas, fez-se sentir um vento forte e incomodativo. Estavam lançadas as bases para assistirmos a uma boa partida de futebol.
Com os primeiros 10’ decorridos, a formação da luz estava por cima. O Benfica pressionou mais e aos 7’ dispôs da primeira ocasião real de verdadeiro perigo, Chiquinho falhou de maneira escandalosa.
Depois de transcorridos os primeiros 20’ a partida havia mudado de feição. Os de Guimarães começavam a passar facilmente a primeira fase de construção da turma orientada por Nélson Veríssimo. O britânico Marcus Edwards semeou o pânico na zona central da defesa encarnada. Este atirou à barra sendo que o esférico ainda embateu no poste da baliza defendida por Vlachodimos.
Quatro minutos mais tarde Bruno Duarte atirou para uma defesa fantástica do dono das redes encarnadas. Por esta altura a turma minhota estava por cima do encontro. Os da casa perdiam bolas de forma infantil, principalmente Weigl, que já havia visto um cartão amarelo, que na minha opinião deveria ter visto o segundo por falta cometida sobre Ola John aos 28’. Adotando o critério que foi empreendido pelo árbitro, o germânico deveria ter “vindo tomar banho mais cedo”.
Weigl deu lugar ao “desaparecido em combate” Florentino. Bem observado pelo técnico das águias.
A 8’ dos 45’ regulamentares e contra a corrente do desafio, o clube da águia chegou ao golo. Chiquinho inaugurou o marcador, depois de um cruzamento de Nuno Tavares. Um remate sem preparação que desfeiteou por completo o veterano Douglas (de 37 anos).
A pausa chegou sem os da casa merecerem a vantagem da qual dispunham. Começaram melhor é um facto, mas “como a tradição ainda é aquilo que era” principalmente nos últimos jogos no anfiteatro encarnado, a boa entrada apenas se estendeu ao longo dos primeiros 20’, sendo que desde essa altura a turma de Ivo Vieira passou a ser dona e senhora da contenda. O golo surgiu numa ocasião em que os caseiros estavam a ser forçados a se remeterem ao seu reduto defensivo. De acordo com a produção das duas formações deveríamos ter uma igualdade a um em tempo de descanso.
Depois no primeiro quarto de hora da etapa complementar, os da segunda circular voltaram melhor, com mais controlo dos ritmos de jogo, mesmo que sem oportunidades dignas desse nome. Por lesão aos 57’, o madeirense, Ivo Vieira foi forçado a fazer uma mexida: saiu o inglês Suliman sendo rendido por Pedro Henrique (mais conhecido no mundo do futebol por Pedrão).
O vento estava a soprar com maior intensidade, dificultando a tarefa dos artistas dentro das quatro linhas.
Depois de 65’ jogados, assistiu-se a mudanças no onze lisboeta e logo em dose dupla: abandonaram Carlos Vinícius e Pizzi, entrando Seferovic e Rafa. Tentativa de refrescar a equipa, injetando sangue novo no ataque do clube presidido por Luís Filipe Vieira (no dia em que o mesmo viu o seu nome associado a mais um processo).
À entrada da última vintena de minutos, mais uma vez os encarnados já estavam nas lonas em termos físicos. Os do Minho acercavam-se cada vez mais da área encarnada, sendo que com 73’ e como bom técnico que é Ivo Vieira, observando o desgaste dos opositores, fez uma dupla alteração: tirando Ola John e Mikel para as entradas de Ouattara e de Pepê Rodrigues (formado nas escolas do Benfica).
A 10’ da compensação o desfecho da partida era incerto, mas só dava Vitória, sendo que o emblema da águia tentava suster todas as investidas por parte dos conquistadores.
Após se terem desenrolado 83’ saiu nos forasteiros o francês Poha dando lugar a João Pedro.
Aos 85’ golo bem anulado ao emblema de D. Afonso Henriques. Boa decisão de Hugo Miguel e seus pares.
Dois minutos depois os corações encarnados palpitavam de alívio, Seferovic bastante oportuno ao primeiro poste e na sequência de um cruzamento de Rafa, bateu para o segundo, adiando assim os festejos tripeiros. Estava decidido o vencedor do confronto.
Aos 88’ mais uma dupla substituição nos da capital: foram descansar Cervi e Chiquinho, entrando Jota e Zivkovic (que espera com um novo técnico ter mais minutos de utilização).
Foram acrescentados quatro minutos mais para além dos noventa regulamentares.
Resultado bastante penalizador para os de Guimarães, mas mais uma vez se aplicou a velha máxima do futebol “quem não marca arrisca-se a sofrer”.
Este resultado faz com que os portistas tenham de guardar o champanhe pelo menos até ao término do clássico diante dos leões. Já a turma minhota vê o sonho europeu desvanecer-se, pois faltam duas rondas e a distância para o FC Famalicão é de seis pontos.
Notas:
Melhor em campo - Chiquinho
Pior em campo - Weigl
OK para ambos os treinadores
Cartão amarelo para a equipa de arbitragem
Por Diogo Rodrigues

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