A primeira presidente de um clube em Portugal


O seu nome é Maria João de Figueiredo e foi eleita para estar à frente dos destinos do Barreirense por dois mandatos. A empresária de 52 anos, foi consagrada como presidente do emblema do Barreiro no passado dia 31 de julho de 2019, com mais de 90 % dos votos.

As suas principais prioridades são:

- Dotar o clube de mais e melhores infraestruturas.

- Consolidar de uma forma responsável as contas dos do Barreiro, aspeto que não se encontra particularmente auspicioso.

- Apostar na formação a nível masculino, mas também no que diz respeito à vertente feminina.

De destacar que esta mítica instituição, conta na atualidade com 11 modalidades em vigor. Sendo que nas palavras da empresária “o nosso principal problema é a falta de espaço, temos de fazer uma gestão das condições das quais dispomos”.

Maria João antes de assumir este cargo, já tinha presidido o concelho fiscal do clube durante dois mandatos, sendo que se candidatou ao mesmo visto que todos acreditaram nas suas capacidades de boa gestora e de líder nata.

A cinquentenária refere que se recorda de assistir aos fins de semanas à tarde, juntamente com os seus pais, a grandes jogos de basquetebol e que era uma felicidade ver semanalmente o pavilhão repleto. Contudo e fruto da sua atividade como gestora Maria João deixou de estar tão envolvida na vida do seu clube do coração. No entanto e como uma paixão esmorece, mas nunca se esquece, quando o seu filho mais novo Miguel tinha seis anos e o mais velho João contava com onze, fruto de serem ambos membros dos escalões de formação dos da margem sul, a mãe voltou a enamorar-se do seu clube de sempre. Passando a acompanhar de forma frenética e segundo a mesma “por vezes em excesso” tudo o que estava relacionado com as mais diferentes modalidades presentes nesta instituição.

Esta conta com uma licenciatura no curso de gestão, feita na Universidade Nova de Lisboa, somando trabalhos nas mais diferentes áreas. A Barreirense de gema (embora tenha nascido no concelho do Estoril), começou “ no mundo dos homens” quando trabalhou por cerca de uma dezena de anos numa empresa do ramo automóvel: “ foi aí que tive a noção que poderia um dia liderar algo que tipicamente se atribui a um homem”.

A agora presidente da formação Barreirense declara, que se recorda de uma ocasião e visto que sempre teve perfil para liderar, o seu pai lhe dizer “ é uma pena seres mulher, pois se não o fosses eras capaz de conseguir um lugar ao sol”. Estas palavras não foram compreendidas pela jovem, mas atualmente percebe o que seu pai lhe queria transmitir com esta mensagem.

Esta história é mais um exemplo que mesmo num mundo que infelizmente ainda é dominado pelos homens e em que segundo estudos mais recentes estes auferem pelo mesmo trabalho mais 50 % do que uma mulher que ocupe o mesmo cargo, entendemos que com persistência e muita vontade de singrar, lutando pelos nossos objetivos tudo se pode materializar.

Maria João de Figueiredo é tudo isso, mantendo a humildade de quem sabe o que custou chegar a este patamar.

Esperemos que num futuro tão próximo quanto possível existam mais mulheres a desempenhar cargos de relevo a nível desportivo, como as treinadoras: Mara Vieira, Helena Costa (única mulher em Portugal a conduzir uma equipa de futebol masculino, no caso em França) e tantas outras que por falta de autoestima ou de oportunidades neste mundo ainda muito machista, lutam diariamente para conseguirem os seus desideratos.

Nunca desistam.




Por Diogo Rodrigues

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