A crónica de uma morte mais que anunciada


Diogo Rodrigues elabora, para a Revista Desportiva, um resumo do confronto entre o CS Marítimo e o SL Benfica. Serão destacados os momentos mais importantes da partida, bem como se referirão quais os melhores e os piores, no que respeita às performances demonstradas.

Para concluir, falaremos ainda do pós jogo, nomeadamente do facto de o treinador Bruno Lage e do presidente Luís Filipe Vieira terem posto ambos o lugar à disposição.


A crónica de uma morte mais que anunciada 

Os encarnados viajaram até à Madeira com a pressão adicional, proveniente dos maus resultados, o score de seis jogos sem vencer (pior série de sempre para as águias). Sendo que Lage sabia, perfeitamente, que haveria tolerância zero, caso os lisboetas voltassem a escorregar e se tal acontecesse o técnico saltaria fora. Por todas estas razões e dado o contexto existente antes da partida, não temos quaisquer dúvidas em afirmar que este era o jogo da época para o conjunto da segunda circular.

Com um tempo solarengo, as formações do CS Marítimo e do SL Benfica encontraram-se na pérola do Atlântico, no reduto dos insulares, o tempo era o ideal para a prática do futebol.

Com o juiz Hélder Malheiro na condução arbitral do desafio, contando com o auxílio do também lisboeta Hugo Miguel na vídeo arbitragem na Cidade do Futebol, as formações prometiam um confronto emocionante e aliciante. Ambas necessitavam de pontos como que de pão para a boca: os da casa para fugir à zona perigosa da classificação, enquanto que os benfiquistas tinham de vencer para pressionar o rival FC Porto que jogaria de seguida na difícil deslocação a Paços de Ferreira.

A partida iniciou com uma entrada bastante autoritária dos forasteiros e com um duelo muito particular entre o médio encarnado Chiquinho (que regressava às escolhas iniciais de Lage) e o iraniano do Marítimo, o guarda redes Amir (sendo que também este regressava ao onze inicial dos insulares, rendendo o habitual dono da baliza madeirense, o brasileiro Charles). De resto, nos primeiros 10 minutos da partida, Chiquinho perdeu as quatro chances que teve para desfeitear Amir, sendo que este começou a justificar, desde cedo, o porquê de ter assumido as redes nesta contenda.

O Benfica dominava a seu belo prazer a partida, 10 minutos em que os ilhéus estiveram remetidos à defesa.

A segunda dezena de minutos, mesmo que ainda com a formação que equipou de vermelho e branco, por cima da mesma, os maritimistas já empurravam os benfiquistas para longe da sua área. O ritmo baixou consideravelmente, mesmo assim, estes continuavam a desperdiçar inúmeras ocasiões: Vinícius perdeu duas flagrantes na cara do keeper  verde rubro.

Aos 24',  o Marítimo, na primeira vez, que se acercou do último terço, introduziu a bola nas redes dos encarnados. Contudo, o lance foi bem invalidado, já que Rodrigo Pinho estava adiantado, face à cortina defensiva vermelha, boa decisão de Hélder Malheiro e seus pares.

O último quarto de hora da primeira parte foi disputado a ritmo de treino por ambos os conjuntos. Por esta altura já os comandados de Lage haviam caído a pique em termos exibicionais.

A reentrada das formações nada alterou no desenrolar da partida. O SL Benfica dominando em termos de posse de bola, mas sem atirar enquadrado com os postes maritimistas, não dispondo de qualquer ocasião no primeiro quarto de hora. Destaque para duas mexidas operadas por Lage nos primeiros minutos da etapa complementar: as saídas de Samaris e Carlos Vinícius, paras as entradas de Rafa e do suíço Seferovic.

Realce para uma oportunidade incrivelmente desaproveitada por Seferovic, mas também para a alteração no xadrez maritimista com a saída de Edgar Costa, único madeirense de nascimento a alinhar de início na turma da casa, para a entrada do brasileiro Getterson. Pizzi deu o seu lugar ao sérvio Zivkovic, aos 74’. No mesmo minuto e contra a corrente do jogo os insulares chegam ao golo, por intermédio do argentino J. Correa, que fez assim o terceiro golo na prova. Mais uma vez, o eixo central da defesa encarnada esteve muito mal, deixando o técnico de cabelos em pé no banco.

Aos 75' sai Cervi nas águias e entra para o seu lugar o luso-brasileiro Dyego Sousa, regressando a uma casa onde deu nas vistas, saltando daí para o Braga.

Aos 77' nova alteração, desta vez na equipa da casa, saída do marcador do primeiro tento, J. Correa, rendido pelo camaronês Joel Tagueu.

As coisas pioravam ainda mais para Bruno Lage, visto que os da casa chegaram ao segundo golo, em mais uma arrancada fulgurante de Nanu, que centrou para Rodrigo Pinho, batendo para o fundo das redes, balançando o barbante pela segunda vez, deixando os encarnados em muitos maus lençóis e empurrando Lage para fora da luz.

Aos 82' , já conformado com o destino e também com o seu futuro, Lage retirou Chiquinho e colocou Jota. O que nada alterou, nem a sorte da equipa, nem o seu destino. Rodrigo Pinho sai ao minuto 85' na equipa da casa, dando lugar ao médio Diego Moreno, um reforço do miolo do terreno feito por José Gomes, que estava ciente da importância do triunfo alcançado, rumo à manutenção entre os grandes.

Joel Tagueu introduz a bola pela terceira vez nas redes encarnadas, mas viria a ser anulado por posição irregular. Mais uma boa decisão dos juízes designados pelo conselho de arbitragem.

Dyego Sousa, já em tempo de compensação, permitiu que Amir terminasse o seu show da melhor maneira, detendo o cabeceamento do internacional português, que ainda não justificou a vinda por empréstimo para o clube da águia.


Notas: O título de melhor em campo é atribuído por nós ao guardião da casa, Amir, embora Nanu também o justificasse, visto que arrancou de forma fulgurante nos lances dos dois golos da formação madeirense.

Já o prémio de pior em campo vai para o central encarnado Ferro (Francisco Ferreira), dado que o Marítimo explorou as debilidades por ele demonstradas levando a cabo a maioria dos seus ataques pelo seu flanco.

Um KO para Bruno Lage por "mexer" de forma desadequada e tardia na sua formação. Por seu turno, José Gomes leva um OK pela estratégia montada na abordagem da partida e pelas alterações efetuadas, revelando uma visão excelente em termos táticos daquilo que a partida lhe foi pedindo.


Pós jogo

Aquando das entrevistas rápidas, Lage afirmou sentir apoio de todos na estrutura encarnada, mas passados cerca de 30 minutos, Luís Felipe Vieira, num tom agastado e de voz altiva, anunciou que Lage colocou o seu lugar à disposição, dado o clima de turbulência vivido.

O dirigente encarnado referiu, ainda, "tenho de conversar com a minha família, para decidir qual o rumo a seguir".

Até à elaboração deste artigo não é conhecido qual o nome do sucessor de Lage. Para já, ao leme da equipa fica o seu anterior adjunto, Nélson Veríssimo.


Fiquem bem, em segurança, acompanhando a melhor página, que os coloca a par de tudo o que se passa no panorama desportivo nacional e internacional.



Por Diogo Rodrigues

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