Diogo Rodrigues elabora para o blog Revista Desportiva, um artigo no qual explicará como se pratica e em que consiste esta modalidade. Abordando ainda a origem da mesma, quais os equipamentos indispensáveis à sua prática e ainda quais os países dominadores. Será ainda referido o modo como os tempos são cronometrados.
Origem
Esta modalidade, considerada por muitos como a mais radical do programa Olímpico, teve o seu início em 1863, com a primeira corrida a ter lugar na aldeia de Davos na Suíça, contudo existem relatos na Alemanha e na Noruega que datam do sec. XVI, do uso de trenó como veículo de atendimento turístico.
Nos dias de hoje existem três desportos de trenó que constam do programa das Olimpíadas: o Luge, o Skeleton e o Bobsleigh. As provas numa primeira fase eram levadas a cabo pela Federação Internacional de Desportos de Trenó, mantendo-se assim até 1964, altura em que foi criada a Federação Internacional de Luge, sendo que nesse mesmo ano a desafiante modalidade passou a integrar o programa Olímpico.
Países dominadores
Este desporto é dominado desde sempre pela Alemanha, a Áustria e a Itália (com os atletas a saírem principalmente da região de Bolzano). Estes países/regiões beneficiam das ótimas condições para a prática desta modalidade, sendo também os que têm maior poder financeiro para investir na mesma, assim como em todo o equipamento que é bastante dispendioso. Estes três países conjuntamente arrecadaram até 2018 nada mais nada menos do que 80% das medalhas em Olimpíadas e Mundiais. Penso que o meu caro leitor já entendeu a décalage existente, destes para os demais territórios, e nos últimos anos apenas a Alemanha e a Áustria têm arrecadado a Taça do Mundo desta modalidade.
Diferenças entre as provas da Taça do Mundo regular e as provas das Olimpíadas
As diferenças verificadas são: enquanto que a prova Olímpica se disputa ao longo de dois dias totalizando os atletas/ludgers quatro descidas/mangas, já nos Mundiais e provas regulares da Taça do Mundo, os mesmos realizam apenas duas descidas/mangas. As pistas da Taça do Mundo são mais curtas e com curvas mais fechadas, em comparação com os traçados Olímpicos. A outra grande diferença é que as pistas da Taça do Mundo têm refrigeração.
No Luge corre-se em três categorias: duplas masculinas, individual feminino e individual masculino, e todas são constituintes do programa dos Jogos.
Os atletas estão deitados no Luge (palavra francesa que significa trenó), sem ter visão completa do traçado. Estes atingem frequentemente a velocidade de 140Km/h (pouquinho!). As pistas têm normalmente entre 1,5Km e 2Km de extensão, sendo que o tempo agregado entre o somatório das descidas é medido à milésima de segundo, com recurso a pontos de cronometragem espalhados ao longo da pista.
Equipamentos necessários à prática do Luge
O Luge é bastante perigoso, e como tal os seus praticantes precisam de usar uma série de equipamentos para sua proteção: capacete aerodinâmico, para proteger a cabeça aquando do aparecimento de alguma queda. Esta medida foi adotada pela Federação Internacional de Luge, visto que quando decorriam os treinos para os Jogos de Salt Lake City, em 2010 no Canadá, assistiu-se à morte de um ludger georgiano, levando o desporto a adotar medidas que protegessem mais os competidores. As botas de alta resistência, visto que os pés, são outra parte do corpo dos atletas que sofre brutalmente com o impacto do trenó no traçado, servido assim, como um instrumento fundamental para evitar que os pés fiquem traumatizados. Ainda são utilizadas luvas com agulhas para os atletas ganharem maior velocidade aquando da largada. A propósito da largada, dizer que os homens são os únicos que cumprem a pista em toda a sua totalidade, as mulheres e as duplas, realizam um trajeto, normalmente de duzentos a trezentos metros a menos.
Os trenós possuem dois corredores metálicos, que tocam a pista de gelo, feitos de fibra de carbono ferro e aço, portanto extremamente seguros e confortáveis, visto que dispõe ainda de um encosto para o/a atleta, se sentir mais cómodo/a. O Luge deve pesar 23 Kg, no que diz respeito às provas individuais, e 27 Kg, no que concerne às provas disputadas em duplas. As pistas artificiais, por norma, mais usuais no continente americano, por exemplo em Calgary no Canadá, são igualmente aproveitadas para o Skeleton e o Bobsleigh.
Portugal participou apenas nesta última, nos Jogos de 1998 em Nagano no Japão, na competição de duplas, quedando-se pela 12ª posição entre 14 formações participantes.
Fica como conclusão um pequeno dicionário de termos alusivos a este fantástico desporto, que recomendo vivamente que o vejam e apreciem.
Dicionário do Luge
Bridges: de aço, são equipamentos que conectam o trenó às lâminas.
Double: é o nome da categoria disputada por duplas masculinas.
Kufens: lâminas de fibra de vidro que seguram as lâminas que fazem o trenó deslizar na pista.
Natural Track: modalidade não-Olímpica e com trenós diferentes, em que os atletas competem em pistas sem refrigeração artificial.
Espero que tenham ficado a conhecer um pouco mais esta modalidade, com pouca expressão no nosso país.
Fiquem bem, acompanhando a Revista Desportiva, protegendo-se a si e aos que mais gosta.

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