Sobre Rodas #9 - Hegemonias na F1



O desejo dos adeptos da F1 é de que as corridas sejam excitantes, que existam lutas pela vitória até ao fim de cada Grande Prémio. Além disso, esperam que sejam várias as equipas e os pilotos, a lutar pelas primeiras posições. No entanto, nem sempre é assim, pois ao longo da história da modalidade houve momentos em que uma equipa ou um piloto dominaram a competição, criando uma hegemonia.

A Revista Desportiva apresenta detalhadamente as várias hegemonias no mundo da F1.


Década de 1970 – Ferrari 


No início da década de 70, a Ferrari vivia um jejum de títulos desde 1964. A equipa italiana promoveu algumas mudanças, passando Luca di Montezemolo a gerir as operações, sendo o braço direito de Enzo Ferrari, o patrão.


Houve também, mudanças nos pilotos, Clay Regazzoni e Niki Lauda foram contratados. Em 1974, Ragazzoni foi vice-campeão do mundo atrás de Emerson Fittipaldi.

Em 1975 e 1977, Niki Lauda conquistou o mundial de pilotos. Mas, a partir daí, as coisas começaram a mudar, já que Niki Lauda mudou-se para a Brabham. Apesar disso, a Ferrari ainda conseguiu conquistar o título em 1979.

Várias alterações nos regulamentos levaram a que a Ferrari começasse a ficar para trás, tendo entrado num novo período sem vitórias na década de 1980 e quase toda a de 1990.





Décadas de 80 e início 90 – McLaren

 A McLaren procedeu a uma profunda reestruturação no início da década de 1980. Ron Dennis assumiu a posição de chefe da equipa. Pouco depois chegou um acionista, Mansour Ojjeh, que permitiu que a McLaren pudesse utilizar a melhor tecnologia.

Com os pilotos Niki Lauda e Alain Prost, a McLaren conquistou os títulos de 1984, com Lauda, e de 1985 e 1986, com Prost. Em 1987 a série foi interrompida, mas no ano seguinte a equipa britânica voltou a vencer, de uma forma dominadora.

Em 1989, 1990 e 1991 a McLaren continuou a vencer com Ayrton Senna como piloto.

A partir dessa época, as restantes equipas começaram a ultrapassar a equipa britânica, que viu o seu reinado acabar com a saída de Senna.



Década 90 – Williams 

O domínio da Williams, na década de 1990 pode ser divido em duas partes, já que esse período foi interrompido dois anos pela Benetton, de Michael Schumacher.

No início da década, a William investiu no desenvolvimento da eletrónica. Esse investimento resultou na conquista de dois títulos, em 1992 por Nigel Mansell e em 1993 por Alain Prost.

Apesar de, a meio da década, o seu domínio ter sido interrompido, em 1996 e 1997 a equipa voltou a vencer, com Damon Hill e Jacques Villeneuve, respetivamente.

Porém, a equipa perdeu o engenheiro Adrian Newey para a McLaren e nunca mais conseguiu conquistar qualquer título mundial.



Década de 2000 – Ferrari 


A Ferrari passou por períodos de muita turbulência nas décadas de 1980 e 1990. Mas, tudo começou a mudar com a chegada de Jean Todt em 1993 e de Michael Schumacher em 1996. Em 1997 a equipa contratou também, Ross Brawn, ex-Benetton.


 Após alguns anos de muito trabalho, a Ferrari finalmente conquistou o título novamente, com Michael Schumacher em 2000. Em 2001 e 2002, Schumacher aniquilou a concorrência. Mas, em 2003, uma série de alterações aos regulamentos pareciam ditar o fim do domínio da equipa italiana. No entanto, a equipa ainda conseguiu conquistar os títulos de 2003 e 2004.

Em 2005, houve nova alteração, incluindo a proibição de mudar de pneus a meio da corrida, o que trouxe dificuldades para a Bridgestone, fornecedora da Ferrari. Foi, assim, que a equipa italiana perdeu os títulos de 2005 e 2006 para Fernando Alonso e para a Renault.

Em 2007, a equipa voltou a vencer, desta feita com Kimi Raikonnen, mas desde essa época nunca mais conquistou nenhum título mundial.



Década de 2010 – Red Bull 


A Red Bull entrou na F1 no ano de 2005, como uma equipa do meio do pelotão, tentando lutar em alguns Grandes Prémios pela conquista de pontos.


O plano, liderado por Dietrich Mateschitz, Helmut Marko e o jovem Christian Horner, consistia em várias etapas. Primeiro, era necessário melhorar as instalações na fábrica da equipa, criando uma estrutura digna de uma equipa de topo.

Depois, era preciso contratar alguém capacitado para encabeçar o corpo técnico. A figura escolhida foi Adrian Newey, que deixou a McLaren no começo de 2006.

Pouco depois, a equipa iniciou uma parceira com a Renault, marca que passou a fornecer-lhe os seus motores.

A mudança nos regulamentos para 2009 fez com que a Red Bull conquistasse algumas vitórias em corrida nesse ano. Nos 4 anos seguintes, a equipa dominou por completo o campeonato, tendo Sebastian Vettel conquistado os 4 campeonatos.

Em 2014, uma mudança profunda nos regulamentos levou ao fim desta hegemonia e ao começo de outra.



2014 até ao presente – Mercedes 

As mudanças nos regulamentos para 2014 levaram a que a Mercedes, que tinha regressado em 2010, começasse um período de domínio no mundial de F1. 

Lewis Hamilton encabeçou esse projeto, tendo conquistado os mundias de 2014 e 2015, após disputas com o seu colega de equipa Nico Rosberg. 

Em 2016, o alemão Rosberg finalmente conseguiu conquistar o título, tendo-se retirado após essa temporada. 

Nos anos seguintes até aos dias de hoje, Hamilton conquistou todos os campeonatos, com épocas dominadoras, tendo inclusive quebrado recorde de pontos numa só época, no ano de 2019. 

Para a temporada de 2020 espera-se a continuidade deste domínio. Em 2021, mudanças de regulamentos já aprovadas poderão ser o fator que levará ao fim desta hegemonia da Mercedes.




Por João Tavares

0 Comentários