Sobre Rodas #8 - Brawn GP


A Honda tem uma longa história na F1. Forneceu motores em várias ocasiões. Entre 2000 e 2005 forneceu motores à British American Racing (BAR). No final desse ano, a Honda comprou a BAR que atravessava uma crise financeira. Em 2006, a Honda Racing F1 Team conquistou o quarto lugar no mundial de construtores, tendo vencido o Grande Prémio da Hungria por intermédio de Jenson Button.

As temporadas de 2007 e 2008 não corresponderam às expetativas criadas na primeira época. O oitavo e nono lugar, respetivamente, no mundial de construtores colocaram a equipa numa posição difícil. No entanto, para o ano de 2009 estava prevista uma enorme mudança nos regulamentos da F1, abrindo-se assim uma janela para que a equipa pudesse recuperar.

Mas, a 5 de dezembro de 2008, a Honda anunciou que abandonaria a modalidade, devido a problemas económicos. Nick Fry (diretor-executivo) e Ross Brawn (chefe de equipa) conseguiram que a equipa fornecesse alguns apoios para a construção de um carro para 2009, enquanto procuravam compradores.

Entre dezembro e janeiro surgiram mais de 20 propostas, mas nenhuma foi do agrado de Fry e Brawn. Portanto, decidiram avançar eles mesmos para a compra da equipa.

Após a compra da equipa, fecharam um acordo com a Mercedes, para equiparem os monolugares para 2009 com os motores da marca germânica.

No que diz respeito aos pilotos, Jenson Button tinha um lugar garantido, dado que tinha contrato com a Honda para essa temporada. A escolha do segundo piloto foi entre Rubens Barrichelo e Bruno Senna. Barrichelo acabou por ser escolhido, sobretudo devido à sua experiência.

Assim, no dia 5 de março nascia oficialmente a Brawn GP.

O primeiro teste da equipa aconteceu três semanas antes do arranque da temporada de F1. Os testes decorreram em Barcelona, entre os dias 9 e 12 de março. Nesses testes, apesar de todos os carros já estarem numa fase muito mais avançada, a Brawn conseguiu os dois melhores tempos, com uma vantagem considerável para os demais. As outras equipas suspeitavam que a Brawn GP estivesse a adulterar os regulamentos propositadamente para chamar a atenção de patrocinadores (não possuía nenhum).

Mas, não era verdade. O carro apresentava linhas aerodinâmicas eficazes, não usava Kers (facilitava a distribuição do peso) e o motor Mercedes era mais potente. Isto acontecia, pois, a equipa estava a usar um difusor duplo no seu monolugar.

A utilização desse difusor surgiu devido aos maus resultados de 2008. Como a Honda percebeu, desde cedo, que era uma época para esquecer, começou a preparar a temporada de 2009, onde os regulamente iriam sofrer profundas alterações. Durante essa preparação, descobriu uma brecha nos regulamentos, que permitia que a equipa usasse um duplo difusor, algo que lhes conferiu uma vantagem.

Além da Brawn GP, também a Toyota e a Williams usaram o mesmo mecanismo. Isto provocou revolta nas restantes equipas, o que levou a que protestassem. Mas, a Federação Internacional do Automobilismo (FIA) considerou o uso do duplo difusor legal. 

O ínicio da temporada de 2009 foi avassalador por parte da Brawn GP, tendo alcançado seis vitórias nas primeiras oito corridas, todas por intermédio de Jenson Button. 

No entanto, a equipa tinha um orçamento muito pequeno comparado com o das restantes equipas, o que prejudicou o desenvolvimento do carro. 

A Red Bull, a McLaren e a Ferrari começaram a melhorar e introduziram também um duplo difusor. 

Na segunda metade da temporada, os resultados não foram tão bons, tendo a equipa conseguido apenas duas vitórias, através de Rubens Barrichelo. Contudo, como a vantagem inicial era muito grande, no Grande Prémio do Brasil, a equipa conquistou o título de construtores e Jenson Button conquistou o título de pilotos, completando assim um ano de sonho para uma equipa que esteve em vias de não competir. 

No dia 16 de novembro de 2009, a Brawn GP acabou, já que a equipa foi adquirida pela Mercedes que fazia assim, o seu regresso ao mundial de F1. 

Ross Brawn manteve-se na equipa até ao ano de 2013. Na temporada após a saída de Brawn começou o domínio da Mercedes, que dura até aos dias de hoje.




Por João Tavares

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