Sobre Rodas #11 - TurbulĂȘncia 1994


A temporada de 1994 da F1 foi uma das mais turbulentas da história do desporto. Tragédias, polémicas com os regulamentos e um desfecho que deu muito que falar.

No início dos anos 90, a F1 passou por um período de enormes desenvolvimentos tecnológicos. Os principais carros tinham: controlo de tração, controlo de partida, suspensão ativa e sistema ABS.

No entanto, em 1994, todos os auxĂ­lios tecnolĂłgicos foram proibidos e regressou a obrigatoriedade de reabastecer o carro com combustĂ­vel na paragem nas boxes.

A Williams era, até à altura, a melhor equipa da década, tendo dominado e vencido as temporadas de 1992 e 1993. A juntar a isso, Ayrton Senna juntou-se à equipa para o ano de 1994.

A maior rival da escuderia para a época de 1994 era a Benetton, do alemão Michael Schumacher.

No primeiro Grande Prémio da época, no Brasil, Schumacher venceu. O mesmo sucedeu no Grande Prémio do Pacífico, segunda ronda do mundial, onde o alemão foi novamente mais forte.

O terceiro Grande Prémio do ano, foi o de São Marino, que ficaria marcado como um fim de semana negro para o desporto mundial. No såbado, Roland Ratzinberger teve um acidente e morreu durante a qualificação. No domingo, no decorrer do Grande Prémio, Ayrton Senna despistou-se e acabou por morrer.

Estes acidentes levaram a mudanças urgentes na F1. Vårios circuitos tiveram que ser alterados para serem menos perigosos, foi imposto um limite de velocidade no pit lane e foram implementadas mudanças técnicas nos regulamentos de forma a tornar os monolugares mais seguros.

No entanto, vårios pilotos queixaram-se de que as alteraçÔes tornaram os carros mais inståveis, tendo-se registado vårios acidentes nos primeiros Grandes Prémios, após a implementação das mesmas.

Dentro de pista, o início da época foi demolidor por parte de Schumacher que, das sete primeiras corridas, venceu seis e ficou no segundo lugar na outra. A partir daí Schumacher e a Benetton envolveram-se em vårias polémicas.

A primeira foi uma suspeita de que o carro da equipa teria um controlo de partida. As desconfianças jĂĄ existiam desde o inĂ­cio da temporada, sendo que os trĂȘs primeiros classificados do Grande PrĂ©mio de Imola tiveram que entregar os seus carros para serem analisados. Schumacher venceu essa corrida.

A investigação comprovou que o carro da Benetton usava esse controlo de partida, contudo não provou que tenha sido usado em corrida e não houve qualquer punição.

Depois, Michael Schumacher foi desclassificado do Grande Prémio de Silverstone, pois na volta de aquecimento efetuou uma ultrapassagem. Foi penalizado com uma paragem Stop & Go que não cumpriu, porque a equipa entendeu que não foi sinalizada dentro do tempo previsto. Além da desclassificação, o alemão foi suspenso e falhou duas corridas do mundial.

No Grande PrĂ©mio da Alemanha, o carro de Jos Verstappen, companheiro de equipa de Schumacher, incendiou-se nas boxes. Mais tarde, descobriu-se que se deveu a uma retirada de um filtro do carro do holandĂȘs, algo ilegal, pois todas as equipas eram fornecidas pela mesma empresa e nĂŁo podiam efetuar qualquer alteração. No entanto, a Benetton nĂŁo foi punida.

No Grande Prémio da Bélgica, Schumacher venceu a corrida, mas viria a ser novamente desclassificado. Após a corrida, foi detetado que a prancha de madeira do carro do alemão, introduzida alguns Grandes Prémios antes, tinha mais desgaste do que o permitido. A Benetton explicou que se deveu à passagem de Schumacher sobre uma chicane durante o Grande Prémio.

Com todas estas situaçÔes, Damon Hill foi escalando posiçÔes no mundial de pilotos e chegou ao Ășltimo Grande PrĂ©mio do ano, na AustrĂĄlia, a apenas um ponto de Schumacher.

Na corrida, Schumacher e Hill acabaram por se envolver num acidente, tendo abandonado os dois, garantindo assim o primeiro de sete títulos de Michael Schumacher, terminando a época de uma forma polémica.




Por JoĂŁo Tavares

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