Tiago Vagaroso da Costa Monteiro é um dos pilotos portugueses mais bem-sucedidos de sempre.
No inÃcio da sua carreira, participou, principalmente, em provas em solo francês, incluindo as 24 Horas de Le Mans. Os bons resultados alcançados ao longo dos anos abriram-lhe as portas da maior competição de automobilismo do mundo, a Fórmula 1, no ano de 2005.
O português ingressou na Jordan. Na sua temporada de estreia conquistou o melhor resultado de sempre de um português na modalidade, um terceiro lugar, num atÃpico Grande Prémio dos EUA.
Em 2006, a Jordan passou a denominar-se Midland. Tiago Monteiro continuou na equipa, no entanto, sem resultados de grande relevo. No final desse ano abandonou a F1.
O ano de 2007 marcou a estreia do piloto no WTCC (Campeonato Mundial de Carros de Turismo). Desde esse ano até 2012, Monteiro andou ao volante de um SEAT, tendo alcançado algumas vitórias.
Desde 2012 corre pela marca japonesa Honda. No ano de 2017, quando liderava o campeonato, confortavelmente, sofreu um grave acidente que lhe retirou vários meses de carreira.
A Revista Desportiva esteve à conversa com o piloto português.
Revista Desportiva: O que o levou/motivou a entrar no mundo do automobilismo? Era um sonho de criança?
Tiago Monteiro: Não, não era. Cheguei ao automobilismo até bastante tarde para o que é normal. Pelos 19 anos e por influência do meu pai que fazia a Porsche Carrera Cup em França. Numa das provas experimentei, adorei e não mais larguei. Depois de vários anos com resultados positivos em várias competições, fui anunciado em 2005 como piloto oficial da Jordan na F1.
![]() |
| Foto Tiago Monteiro |
RD: De que forma conseguiu chegar à maior competição de desporto motorizado no mundo?
RD: Nesse mesmo ano conseguiu subir ao pódio, sendo o único português na história a consegui-lo, numa corrida bastante invulgar. Apesar disso qual foi a sensação de ter alcançado o 3º lugar?
TM: Apesar de ter sido uma corrida atÃpica, foi uma enorme satisfação. Um momento único e que fica marcado. Foi uma oportunidade que consegui agarrar.
RD: Consegue descrever o ambiente que se fazia sentir antes dessa corrida em particular?
TM: Era uma situação estranha, um misto de emoções. Mas procurei abstrair-me do que acontecia à minha volta e de fazer o meu melhor. SabÃamos que ia ser uma corrida atÃpica, e que muita coisa podia acontecer. E que podÃamos marcar pontos o que para nós já era uma vitoria. Mas não pensava em pódio!
RD: Do seu ponto de vista o problema poderia ter sido resolvido de outra forma?
TM: Talvez sim, se tivesse havido mais diálogo e mais consenso entre as equipas e a Michelin. Mas obviamente que agora é fácil dizer isso. Mas acho que poderia ter havido um consenso.
RD: 2006 foi o seu último ano na F1. Que motivos levaram à sua saÃda?
TM: Para ter melhores resultados, precisava de uma equipa mais competitiva e infelizmente a estrutura em que estava inserido não me proporcionava essas garantias. Antes pelo contrário, tinha informações internas que as coisas estavam muito mal e que até podia ir à falência, mas que de qualquer forma a nÃvel desportivo ia ser um desastre. E assim foi. Não fazia sentido continuar a investir e a não conseguir fazer melhor.
![]() |
| Foto Tiago Monteiro WTCR |
RD: Em 2017, liderava o campeonato WTCC, quando em setembro durante uns testes em Barcelona teve um grave acidente. O que lhe passou pela cabeça nesse momento?
TM: Durante o acidente não me ocorreu grande coisa. Mas quando despertei no hospital horas depois, e depois de uns dias, tomei consciência do que tinha acontecido e da condição em que estava, foi muito complicado. Mas depois foquei-me na recuperação e só pensava nisso e ainda bem porque deu os seus frutos.
RD: Sente que poderia ter sido campeão se não fosse esse incidente?
TM: Praticamente certo. Tinha 40 pontos de avanço, o que é muito neste campeonato, e só faltavam 3 fins de semana. Estava muito forte, estava tudo no caminho certo.
RD: Atualmente disputa o campeonato WTCR, em que após um difÃcil inÃcio conseguiu vencer em Portugal. Como é vencer em casa?
TM: Tem sempre um sabor especial, mas desta última vez superou tudo. Regressar depois do acidente e conseguir aquele feito no meu paÃs, é algo que não se explica, só se sente. Das sensações mais fortes que jamais senti.
![]() |
| Foto Tiago Monteiro após vitória em Portugal |
RD: Pensa continuar nesta competição ou tem outros objetivos?
TM: Sim, para já sim. A minha relação com a Honda já tem 9 anos, e é muito forte. A Honda está investida neste campeonato, do qual gosto muito também. Claro que olho sempre para outras corridas de endurance, mas como campeonato prioritário, estou muito satisfeito onde estou.
RD: Que pilotos portugueses acredita que poderão vir a destacar-se no automobilismo?
TM: Atualmente já temos o António Félix da Costa ou o Filipe Albuquerque. Mas há outros jovens pilotos que podem vir a ter sucesso. Aliás, foi a pensar nisso que criei a Skywalker Young Guns. Um projeto ao nÃvel do karting que visa ajudar e a promover jovens talentos. E temos alguns: o José Pinheiro, o Rodrigo Seabra, a Mariana Machado e o meu próprio filho, o Noah. Na área do agenciamento desportivo, tenho também vários jovens talentos nacionais, como o Mariano Pires, Cesar Machado, entre outros. Mas claro que há mais outros grandes talentos em Portugal, não posso estar com todos. Talento não falta!
RD: Como é que os portugueses olham para o desporto motorizado?
TM: Quem gosta de desporto motorizado, gosta mesmo! Mas infelizmente ainda não temos a dimensão do futebol, pois nesse caso a realidade seria outra. Temos muitos apaixonados, mas para tocar mais as massas, terÃamos de ter mais divulgação e promoção, o que ainda não é bem o caso.
Entrevista realizada por João Tavares




0 Comentários