A F1 é a mais popular modalidade de automobilismo do mundo e está repleta de vários acontecimentos polémicos. Alguns desses momentos foram protagonizados por colegas de equipa, que acabaram por se tornar grandes rivais.
Neste artigo, vamos fazer uma retrospetiva das mais marcantes rivalidades entre companheiros de equipa, da história da F1.
Mike Hawthorn e Peter Collins x Luigi Musso (Ferrari – 1958)
Mike Hawthorn e Peter Collins, ambos ingleses, tinham um “pacto” de entreajuda durante as corridas, deixando de parte o italiano Luigi Musso, o outro piloto que também fazia parte da Ferrari.
Musso descobriu que os ingleses tinham um acordo e que repartiam os prémios que ganhavam por cada corrida. O italiano sentiu-se prejudicado e começou a esforçar-se cada vez mais, pois necessitava de ganhar dinheiro para pagar dívidas que tinha contraído.
No Grande Prémio de Reims, Musso forçou uma ultrapassagem sobre Hawthorn e despistou-se, sofrendo um acidente mortal. No Grande Prémio de Nurburgring, desse mesmo ano, Collins também morreu num acidente.
Hawthorn conquistou o título de pilotos, mas acabou por abandonar as corridas por causa das mortes dos colegas.
Alan Jones x Carlos Reutemann (Williams – 1980 e 1981)
No ano de 1980, a Williams contratou Carlos Reutemann como segundo piloto. O contrato dizia especificamente que o piloto argentino teria que ajudar o australiano Alan Jones a conquistar o título de pilotos, o que viria a acontecer.
Contudo, em 1981, uma vez que Jones já tinha sido campeão, Reutemann sentiu-se livre para lutar pelo campeonato. Na segunda corrida da época, Reutemann liderava à frente de Jones, quando a equipa ordenou a troca de posições. O argentino não obedeceu e venceu a corrida.
A partir desse momento, a relação entre os dois pilotos degradou-se de tal forma que deixaram de se falar. Ao longo da época, lutaram um contra o outro, prejudicando-se mutuamente. Quem beneficiou dessa disputa foi Nelson Piquet, que mesmo pilotando um carro inferior (Brabham), conquistou o título mundial de pilotos.
Alan Jones deixou a F1 no final da temporada.
Gilles Villeneuve x Didier Pironi (Ferrari – 1981 e 1982)
O canadiano Gilles Villeneuve e o francês Didier Pironi, ambos na Ferrari desde 1981, começaram a rivalizar no ano seguinte, quando, no Grande Prémio de São Marino, a Ferrari ordenou a poupança de combustível e a manutenção das posições.
O francês não acatou as ordens e ultrapassou o companheiro. Durante o resto da corrida os dois ultrapassaram-se sucessivamente e Pironi acabou a prova no primeiro lugar.
A partir desse momento, Villeneuve declarou guerra contra Pironi. No entanto, semanas depois, o canadiano viria a morrer num acidente, nos treinos para o Grande Prémio da Bélgica.
Rene Arnoux x Alain Prost (Renault – 1981 e 1982)
O líder da equipa da Renault foi, até ao final de 1980, Rene Arnoux, mas tudo mudou com a chegada de Alain Prost, em 1981.
Nesse ano, Prost obteve melhores resultados do que Arnoux, pelo que a equipa começou a apostar mais nele.
A situação piorou, em 1982, quando Prost venceu as duas primeiras corridas do campeonato e se assumiu como um dos candidatos ao título.
O auge da rivalidade surgiu, no Grande Prémio de França. Como Prost estava em melhor posição no campeonato, a equipa ordenou que Arnoux, que seguia em primeiro, cedesse a sua posição ao companheiro. Arnoux não obedeceu e venceu a corrida.
O ambiente entre os dois pilotos tornou-se insustentável e Arnoux decidiu aceitar a proposta da Ferrari, deixando a Renault em 1983.
Ayrton Senna x Alain Prost (McLaren – 1988 e 1989)
Prost era o líder da equipa McLaren desde 1984, tendo conquistado dois títulos mundias. Em 1988, Senna, uma estrela em ascensão, entrou para a equipa. Com dois pilotos talentosos e carros dominadores, a McLaren era a principal candidata ao título.
No primeiro ano, o brasileiro Ayrton Senna conquistou o título. Em 1989, antes do Grande Prémio de São Marino, os dois pilotos acordaram um pacto de não agressão, na primeira volta, de modo a não abrir espaços para os adversários.
No entanto, à quarta volta, um acidente de um piloto da Ferrari interrompeu a corrida, o que obrigou a um novo arranque. Na partida, o francês Alain Prost, assumiu a liderança, contudo, Senna, desrespeitando o acordo, ultrapassou o colega.
A partir deste momento, a rivalidade foi crescendo. Prost começou a acusar a Honda de enviar motores escolhidos especialmente para Senna.
A decisão do título teve lugar em Suzuka, no Japão. O brasileiro tentou a ultrapassagem ao francês. Este não facilitou e Senna saiu de pista, que ainda conseguiu voltar e vencer a corrida, no entanto, viria a ser desclassificado por ter cortado a chicane, no regresso ao traçado.
O vencedor do título mundial foi Alain Prost, que se mudou para a Ferrari no ano seguinte.
Fernando Alonso x Lewis Hamilton (McLaren – 2007)
Em 2007, a McLaren contratou o bicampeão mundial, Fernando Alonso, e o novato Lewis Hamilton.
Hamilton, desde o início, demonstrou uma grande consistência, o que frustrou Alonso, cujas expetativas eram as de que seria ele o piloto principal.
No Grande Prémio da Hungria, o espanhol Fernando Alonso estava revoltado porque Hamilton não obedecia às instruções da equipa. Assim, na última sessão de qualificação, o espanhol entrou nas boxes, para trocar de pneus. Hamilton fez o mesmo, mas Alonso, propositadamente, demorou mais tempo do que o necessário nessa paragem, fazendo com que o britânico já não tivesse oportunidade de fazer a última volta da qualificação.
Esse comportamento valeu uma punição a Alonso, por parte da McLaren. Alonso também esteve envolvido no caso de espionagem de dados da Ferrari, que ficou conhecido como Spygate, em que prejudicou a sua própria equipa.
A luta entre os dois manteve-se até ao final da temporada, mas o título de pilotos foi conquistado por Kimi Raikonen, da Ferrari.
Alonso deixou a McLaren e voltou para a Renault.
Sebastian Vettel x Mark Webber (Red Bull – 2009 a 2013)
O alemão Sebastien Vettel e o australiano Mark Webber foram os pilotos que levaram a Red Bull aos seus maiores sucessos. No entanto, os problemas entre eles começaram em 2010.
No Grande Prémio da Turquia, Vettel forçou a ultrapassagem a Webber e os dois bateram, favorecendo assim os pilotos da McLaren, que ficaram com a vitória.
Mostrando um certo favoritismo em relação a Vettel, a Red Bull tirou uma peça com atualizações do carro de Webber para colocar no de Vettel. Mesmo assim, a vitória no Grande Prémio de Silverstone foi de Webber.
Na maior parte do campeonato, o australiano manteve-se como o grande candidato ao título, contudo, na última etapa, numa surpreendente reviravolta, o alemão conquistou o título mundial de pilotos.
Esse resultado garantiu de vez a liderança de Vettel na Red Bull, que conquistou mais três campeonatos nos anos seguintes.
Em 2013, no Grande Prémio da Malásia, a rivalidade entre os dois pilotos acentuou-se quando, após as paragens nas boxes, Webber liderava seguido de Vettel. A equipa ordenou a manutenção das posições, contudo Vettel ignorou e ultrapassou o piloto australiano, conquistando a vitória.
No final dessa época, Webber saiu da Red Bull e abandonou a F1.
Lewis Hamilton x Nico Rosberg (Mercedes – 2013 a 2016)
Lewis Hamilton e Nico Rosberg conheciam-se desde os tempos do Kart e foram sempre bons amigos. Em 2013, tornaram-se companheiros de equipa, quando Hamilton se mudou para a Mercedes.
Em 2014, após mudanças nos regulamentos, a Mercedes começou a dominar a modalidade e, com isto, começaram os problemas entre os dois pilotos.
Hamilton desconfiou que Rosberg provocou, propositadamente, uma situação de bandeiras amarelas na qualificação para o Grande Prémio do Mónaco, com o objetivo de garantir a pole position.
Depois, no Grande Prémio da Hungria, a equipa pediu a Hamilton que deixasse Rosberg passar, devido às diferentes estratégias ao nível dos pneus. Hamilton não obedeceu, deixando Rosberg revoltado.
Na etapa seguinte, no Grande Prémio da Bélgica, numa disputa entre os dois, o carro de Rosberg tocou e furou o pneu traseiro do carro de Hamilton. A partir deste momento, a rivalidade atingiu uma maior dimensão.
Nos anos de 2014 e 2015, o título foi para Lewis Hamilton.
Em 2016, os dois bateram e abandonaram a corrida, em Espanha. No Grande Prémio da Áustria, na última volta, voltaram a colidir, mas desta vez Hamilton conseguiu vencer a corrida, enquanto Rosberg terminou em quarto lugar.
Na última corrida do ano, em Abu Dhabi, Rosberg conquistou o tão desejado título e anunciou a sua retirada da F1.
Por João Tavares

0 Comentários