Fora de Jogo #6 - Em tempo de guerra não se limpam armas


A saúde vem sempre em primeiro lugar e, por isso, nunca pode estar "fora de jogo", no entanto, esta pandemia de Covid-19 está a causar consequências desportivas e financeiras muito graves para todas as partes envolvidas no jogo.

Como todos sabemos, as competições estão suspensas e alguns eventos já foram cancelados ou adiados, com todas as repercussões a isso inerentes.

Por exemplo, a Associação Portuguesa de Apostas e Jogos Online (APAJO) estima perdas nas receitas entre 70% e 75% em março. A partir de abril, podem chegar perto dos 100%. É um impacto drástico e que levará certamente à redução ou à extinção dos postos de trabalho do setor, que é parte integrante do setor do turismo.

Outro setor que sairá gravemente prejudicado é o mercado de transferências de jogadores. O medo, a incerteza e a dúvida podem transformar-se numa séria ameaça para quem compra, para quem vende e para os intermediários (agentes e empresários) dos negócios.

Vai haver menos capital disponível e menos margem para contratações por impulso, logo os preços dos jogadores também irão baixar de forma global.

Está em causa, ainda, a manutenção dos postos de trabalho, já que, não havendo atividade desportiva, os clubes não têm receitas e continuam a ter que pagar os salários de plantéis parados durante as próximas semanas (e não se sabe quantas serão).

São, por isso, muitos os clubes que estão a propor aos seus jogadores uma redução salarial, pelo menos enquanto durar esta pandemia de Covid-19. 

Um dos exemplos é o da equipa de futebol do FC Barcelona (Espanha), em que os jogadores da equipa principal concordaram com o corte da retribuição, estando o acordo ainda em aberto, para acertar todos os detalhes. 

As reduções salariais visam proteger o maior número possível de empregos mas há também quem esteja a despedir os seus atletas, como é o caso da equipa do FC Sion (Suíça), que já despediu nove jogadores, por justa causa, porque recusaram aceitar a tal redução significativa nos seus salários.

Estamos em guerra, uma guerra invisível, mas em tempo de guerra não se limpam armas. Será?


Por Maribel Gomes

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