Às 23 horas de sexta-feira, 31 de janeiro de 2020, o Reino Unido deixou de ser membro da União Europeia (UE). Além das alterações sociais, económicas e polÃticas, o Brexit também poderá implicar mudanças no desporto, principalmente no futebol e, em especial, na Premier League, um dos campeonatos mais competitivos e rentáveis do planeta.
Uma das consequências do Brexit para os trabalhadores dos paÃses que fazem parte da UE é que passarão, a partir de 1 de janeiro de 2021, a ser considerados "estrangeiros" no Reino Unido, deixando de ter as mesmas condições e regalias que os seus cidadãos.
Se essa norma também for aplicada aos jogadores de futebol, e até agora não há nenhuma indicação em contrário, os atletas provenientes dos paÃses da UE, que jogam na Premier League, passarão a ser "outsiders".
A explicação é que os jogadores de paÃses que fazem parte da UE, neste momento, não contam como estrangeiros na formação das equipas, pois são considerados "jogadores comunitários" e se o Brexit influenciar o futebol, esses jogadores passarão a contar, já que cada equipa só poderá ter 12 estrangeiros no total. Além disso, as equipas inglesas também não poderão contratar atletas com menos de 18 anos de paÃses da UE, o que deixará o campeonato mais fraco.
Os clubes ingleses não estão a gostar da ideia e pretendem lutar contra ela, porque têm medo de perder competitividade nas provas europeias, como a Liga dos Campeões e, consequentemente, a redução dos contratos milionários referentes à cedência de imagens para as transmissões televisivas.
Por outro lado, a The Football Association (FA), que rege o futebol na Inglaterra, contrapõe que a saÃda do Reino Unido da UE e as novas regras darão mais oportunidades aos jogadores ingleses na Premier League, elevando as possibilidades de revelar bons jovens atletas para a seleção do paÃs.
Apesar de ainda não haver acordo entre o governo britânico, a FA e a Premier League, os cidadãos europeus deverão necessitar de um visto para trabalhar no Reino Unido, tal como aqueles que não nasceram na Europa.
No entanto, a FA propõe uma simplificação no processo de documentação de jogadores não comunitários e quer que os clubes ingleses tenham no máximo 13 jogadores (contra os 17 atualmente permitidos) formados no estrangeiro, numa equipa de 25 atletas.
Mas este cenário não é exclusivo da Premier League, já que com a saÃda do Reino Unido da UE, os jogadores ingleses que joguem em paÃses que fazem parte da comunidade passarão a ser considerados extracomunitários.
Em Espanha, por exemplo, são permitidos apenas três jogadores extracomunitários, ou seja, que não possuem passaporte espanhol, embora qualquer jogador que seja de um paÃs que faça parte do acordo consiga transferência para outras ligas sem ser considerado extracomunitário, deixando de fora, a partir de 2021, os atletas ingleses.
Também em Itália, na Alemanha e em França, os clubes apenas podem ter nos seus plantéis dois, cinco e quatro jogadores extracomunitários, respetivamente.
Embora ache justo que os jogadores de futebol devam ficar subordinados às mesmas regras que os outros trabalhadores, não acredito que isso vá acontecer. O Braço de Ferro entre a FA e a Premier League vai, com certeza, ser renhido, mas no fim vai ganhar o que sempre ganha: a força do dinheiro.
Por Maribel Gomes
Por Maribel Gomes

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