No dia 19 de junho de 2005, o Grande Prémio de F1 de Indianápolis, nos EUA, foi uma das provas mais controversas e insólitas de todos os tempos.
Tudo começou dois dias antes, nos treinos livres, quando o piloto da Toyota, Ralf Schumacher, chocou fortemente no muro da curva 13 do Indianapolis Motor Speedway, supostamente por causa de uma falha num dos pneus.
Além desse, deram-se vários outros acidentes, todos com carros que usavam pneus Michelin, sendo que a marca não conseguiu explicar o motivo pelo qual os pneus que tinha selecionado para as equipas BAR, McLaren, Red Bull, Renault, Toyota, Sauber e Williams apresentavam falhas na única curva inclinada na F1 percorrida em velocidade máxima.
As equipas da Ferrari, da Minardi e da Jordan utilizavam pneus Bridgestone, que ao contrário do que sucedeu com os pneus Michelin não tiveram alterações significativas ao nível da pressão.
No dia anterior à corrida, os representantes da Michelin comunicaram ao diretor de corridas da FIA, Charlie Whiting, que não garantiam a segurança dos pneus em mais de dez voltas a não ser que a velocidade na curva 13 fosse reduzida.
No dia da corrida, os representantes da Michelin reuniram com os chefes das equipas (exceto o da Ferrari), com o CEO da F1 e com o dono do circuito. Foram apresentadas várias alternativas e, uma vez que foram rejeitadas as propostas de limitar a velocidade dos carros da Michelin na curva e de fazer pit stops a cada dez voltas, concluíram que a colocação de uma chicane seria a melhor solução.
Contudo, a FIA recusou a construção da chicane porque seria uma atitude injusta para quem utilizava pneus Bridgestone. Além disso, existem relatos de que o Presidente do organismo, Max Mosley, terá dado a entender ao seu mais alto representante nos EUA, que se qualquer tipo de corrida fora do campeonato fosse disputada, ou se houvesse qualquer tipo de alteração no circuito, o Grande Prémio dos EUA e todos os outros desportos motorizados sob alçada da FIA seriam cancelados.
Inicialmente, das três equipas com pneus Bridgestone, a Ferrari foi a única a garantir que iria participar na corrida. Por sua vez, a Minardi e a Jordan tinham acordado não participar para demonstrar apoio às restantes equipas. No entanto, a Jordan mudou de ideias e uma vez que o acordo foi quebrado a Minardi também decidiu correr.
Assim, as equipas com pneus Michelin, colocaram os seus carros na grelha de partida e realizaram apenas a volta de aquecimento, dirigindo-se em seguida para as boxes, dando como terminada a corrida, mas sem sofrerem sanções por parte da organização.
A partida realizou-se apenas com os seis carros com pneus Bridgestone: Ferrari, Minardi e Jordan.
Os seis pilotos completaram a prova, sendo a terceira vez na história da F1 em que todos os pilotos
que partiram não abandonaram.
A vitória foi para Michael Schumacher da Ferrari, logo seguido pelo seu companheiro de equipa Rubens Barrichelo e em terceiro lugar, pela primeira e única vez ficou um português, o piloto da Jordan Tiago Monteiro.
Esta corrida invulgar levou ao descontentamento do público. Além disso, as consequências traduziram-se em grandes prejuízos económicos, o contrato com o circuito de Indianápolis não foi renovado após 2007 e a Michelin, após o término do seu contrato em 2006, deixou definitivamente de fabricar pneus para a F1.
A F1 regressou aos EUA no ano de 2012, embora num circuito diferente, o Circuit of The Americas, em Austin no Texas.

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