Fora de Jogo #1 - Não ao racismo? Sim, por favor!


Desde 2001, a UEFA, organismo que tutela o futebol europeu, tem vindo a desenvolver várias campanhas destinadas a erradicar o racismo no futebol. 

Nesse sentido, a UEFA tem prestado um elevado apoio finaceiro à rede FARE (Futebol Contra o Racismo na Europa), composta por órgãos que trabalham contra a intolerância e a discriminação.

Desde a organização de eventos, à edição de publicações até à utilização da enorme plataforma de divulgação que são os maiores jogos do futebol europeu, o objetivo é passar uma mensagem de tolerância zero em relação a qualquer forma de racismo ou discriminação, a favor de um maior respeito pela diversidade. 

Além disso, a UEFA também reviu o seu regulamento disciplinar de forma a incluir penalizações mais duras contra o preconceito e a marginalização. 

São também muitos os futebolistas (antigos e atuais) que assiduamente dão o seu apoio às campanhas e falam abertamente contra o racismo. 

No entanto, o racismo parece ser um problema cada vez mais latente na sociedade europeia e, consequentemente, no futebol. 

Em Portugal, o caso mais recente de violência aconteceu no passado domingo, dia 16 de fevereiro, contra o jogador do F. C. Porto, Marega, na partida contra o Vitória S. C., em que adeptos do clube da casa imitaram sons e gestos de macacos direcionados ao jogador, que optou por deixar o relvado, em forma de protesto. 

Há quase duas décadas que a UEFA realiza estas (condescendentes?) campanhas, mas raramente as punições contra os infratores inibem as claques de praticar atos discriminatórios durante os jogos. 

Por mais louvável que seja a campanha "Respect", ela não passa de isso mesmo, uma bonita ação de marketing da mais poderosa entidade do futebol europeu, mas sem efeito prático. 

A UEFA não tem sabido restringir o preconceito dentro dos estádios e, para isso, o organismo deve assumir uma posição mais autoritária, em consonância com as decisões que gosta de tomar em quase tudo o resto. 

Se dentro de campo se permite que os atletas sejam insultados, gozados e desrespeitados, que exemplo se passa para a sociedade em geral? Se os racistas não são banidos dos estádios, não se estará a passar a mensagem de que no campo de futebol tudo é permitido? 

Na Europa (e não só), o futebol é um desporto muito apreciado e esse facto deveria ser aproveitado para mostrar à sociedade que todos nós devemos respeitar as diferenças e, em conjunto, fazer deste mundo, um mundo melhor. 

Por isso, já está na hora da UEFA começar a lidar com o assunto de forma mais severa, porque exigimos "Respect" e dizemos "Não ao Racismo".

Por Maribel Gomes

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